INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES Autarquia Associada à Universidade de São Paulo
ESTUDO DE PARÂMETROS RELEVANTES NA IRRADIAÇÃO DE 124 Xe, VISANDO A OTIMIZAÇÃO NA OBTENÇÃO DE 123I ULTRA PURO NO CICLOTRON CYCLONE-30 DO IPEN-CNEN/SP
LUIZ CARLOS DO AMARAL SUMIYA
Tese apresentada como parte dos requisitos para obtenção do Grau de Doutor em Ciências na Área de Tecnologia Nuclear – Aplicações. Orientador: Dr. Valdir Sciani
SÃO PAULO 2006
Dedico este trabalho, A minha esposa, Judith, Aos meus filhos, Caio e Danilo, A minha nora, Suely e A minha neta, Alice.
Agradeço, Ao
Instituto
de
Pesquisas
Energéticas
e
Nucleares,
pela
oportunidade oferecida para que eu pudesse desenvolver esta tese de doutorado. Ao meu orientador e amigo Dr. Valdir Sciani, pelo acompanhamento, presença, orientação e apoio dados durante todo o período de desenvolvimento do trabalho. Ao meu chefe de Centro Wanderley de Lima pela colaboração e facilidades criadas para a condução do trabalho. Aos meus amigos e companheiros de trabalho do CAC, Hylton, Henrique, Osvaldo, Adilson, Tarcísio, Décio, Zanchetta, Mauro, Vanderlei, Marialva e Marcos pela colaboração, auxílio e amizade. A secretária Sandra pela colaboração, ajuda e amizade na finalização do trabalho desenvolvido. Aos amigos e companheiros de trabalho da Proteção Radiológica, Christovan, Celso, José Roberto e Andrade, pelo auxílio e acompanhamento durante toda a condução do trabalho. As minhas amigas e companheiras Rosana e Marycel do Centro de Radiofarmácia, pela colaboração nas análises necessárias e pelo grande auxílio prestado. Aos técnicos do Controle de qualidade do Centro de Radiofarmácia, que realizaram as análises dos materiais produzidos. Ao Dr. Paulo R. Rela pela colaboração dada e pela participação na idealização do projeto inicial, sem a qual não poderia desenvolver esse trabalho. A Dra Constância P. G. da Silva pelos anos de colaboração na minha formação profissional e por ser prestativa, oferecendo-me oportunidades para o desenvolvimento do trabalho. Ao Chefe do Centro de Radiofarmácia, MSc. Jair Mengatti, pela colaboração e amizade no desenvolvimento no trabalho. Ao Dr. Eddy S. Pino pela colaboração dada a finalização do trabalho. A todas as pessoas que diretamente ou indiretamente colaboraram na elaboração e desenvolvimento deste trabalho.
Aos meus pais, pois sem as suas presenças e apoio constante não estaria aqui hoje. A minha esposa e amiga pelo apoio, incentivo, dedicação e paciência, que sem isso não teria conseguido conduzir e atingir esse objetivo. Aos meus filhos pela presença, incentivo e alegria, que ajudaram muito para que eu cumprisse mais esta etapa. Enfim, o meu muito obrigado, minha gratidão e meus sinceros agradecimentos a todos, pois a vitória em nossas vidas é sempre marcada por pessoas que caminham conosco, auxiliando-nos nos momentos necessários e sem isso, com certeza não haveria sucesso.
Muito Obrigado.
ESTUDO DE PARÂMETROS RELEVANTES NA IRRADIAÇÃO DE 124Xe, VISANDO A OTIMIZAÇÃO NA OBTENÇÃO DE 123I ULTRA PURO NO CICLOTRON CYCLONE-30 DO IPEN-CNEN/SP
Luiz Carlos do Amaral Sumiya
RESUMO
O desenvolvimento da Medicina Nuclear, aliado à evolução dos equipamentos de diagnóstico e terapia, necessita, cada vez mais, da disponibilidade comercial de radioisótopos. Nesse contexto, o IPEN tem buscado atender e abastecer o mercado nacional. Um dos investimentos nesta área foi a aquisição de um ciclotron de 30 MeV, modelo Cyclone-30, que permitiu a produção dos radioisótopos tais como, o
18
F,
67
Ga,
201
Tl e o
123
I, sendo este último o foco do
presente trabalho. Através de dados de produções rotineiras de
123
I via irradiação
com prótons em alvo gasoso de Xenônio com enriquecimento superior a 99,8% em
124
Xe, foi realizado um estudo para identificar os fatores relevantes que
influenciam diretamente o rendimento de obtenção de
123
I com altíssimo grau de
pureza. Embora a metodologia seja bem conhecida, quando se trata de produção comercial há uma escassez de dados sobre os parâmetros operacionais utilizados. Os parâmetros avaliados foram: pressão do gás
124
Xe, intensidade de
corrente de feixe de prótons, tempo de irradiação, temperatura de operação do sistema durante a irradiação, tempo de espera para formação de aquecimento do porta-alvo para recuperação do
123
123
I, tempo de
I formado, temperatura de
aquecimento da solução de lavagem e influência do revestimento interno da câmara de irradiação com Ni. Com os resultados obtidos, foi possível alterar as condições operacionais nas produções rotineiras, conduzindo a um aumento de eficiência do processo em torno de 30%.
STUDY OF IMPORTANT PARAMETERS ON THE IRRADIATION OF 124Xe, TO IMPROVE THE PRODUCTION OF 123I WITH HIGH PURITY USING THE CYCLONE-30 CYCLOTRON AT IPEN-CNEN/SP
Luiz Carlos do Amaral Sumiya
ABSTRACT
The development of diagnosis equipment and therapy procedures in nuclear medicine depends on the availability of commercial radioisotopes. IPEN is the most important institution that provides radioisotopes for national market. In order to achieve this function, IPEN had invested in the acquisition of a 30 MeV Cyclone-30 cyclotron to produce mainly
18
F,
67
Ga,
production is the aim of the present work. With the
123
201
Tl and
123
I. The
123
I
I routine production data
obtained by proton irradiation of Xe targets with an enrichment greater than 99.8%, it was possible to identify the important parameters that have direct influence on the production yield of high purity degree methodology for the commercial production of
123
123
I. Even though the
I, there are an scarcity of
operational parameters data for this task. In this work the evaluated parameters were:
124
Xe pressure, proton beam quality, irradiation time, operational
temperature of the irradiation system under irradiation, waiting time to obtain
123
I,
temperature of washing solution and the impact of the internal Ni coating in the target. With the obtained results it was possible to modify the operational conditions for routine production and increasing the efficiency in about 30%.
SUMÁRIO
Página
1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................1 1.1 Histórico ........................................................................................................2 2 2.1 2.2 2.3
ACELERADORES DE PARTÍCULAS............................................................4 Breve Histórico .............................................................................................4 Ciclotron........................................................................................................5 Os Ciclotrons do IPEN .................................................................................7
3 O IODO.........................................................................................................12 3.1 Os Radionuclídeos 131I e 123I .....................................................................12 4
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................15
5 MÉTODOS DE OBTENÇÃO DE 123I ............................................................19 5.1 Métodos de Produção de 123I .....................................................................21 6 PRODUÇÃO DE 123I NO IPEN .....................................................................29 6.1 Sistema d Irradiação de Alvo Sólido de 124TeO2 ......................................29 6.2 Sistema de Irradiação de Alvo Gasoso de 124Xe ......................................32 6.2.1 Sistema de Controle ...................................................................................37 6.2.2 Sistema de Processamento do alvo..........................................................37 7 7.1 7.2 7.3 7.4
PARÂMETROS RELEVANTES ...................................................................39 Perfil de Feixe .............................................................................................39 Comportamento dos Gases .......................................................................40 Cinética dos Gases.....................................................................................43 Comportamento do Gás na Irradiação......................................................45
8 MATERIAIS E PROCEDIMENTOS ..............................................................48 8.1 Materiais ......................................................................................................48 8.2 Procedimento Experimental ......................................................................50 8.2.1 Testes Preliminares....................................................................................50 8.3 Monitoração do Feixe.................................................................................51 8.4 Procedimentos Operacionais ....................................................................52 8.4.1 Procedimento de Carga do Alvo ...............................................................52 8.4.2 Procedimento de Descarga do Alvo Irradiado .........................................54
8.4.3 Limpeza do sistema de irradiação ............................................................56 8.5 Dados Experimentais .................................................................................56 9
PROTÓTIPO DO SISTEMA DE IRRADIAÇÃO............................................60
10
RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................65
11 CONCLUSÕES ............................................................................................80 11.1 Trabalhos Futuros ......................................................................................82 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................83
1
CAPÍTULO 1
1
INTRODUÇÃO A Medicina Nuclear Brasileira, assim como, as diversas áreas do
conhecimento científico, têm evoluído em marcha constante, o que conduz a um estado de necessidades maiores e mais amplas, tanto do ponto de vista de diagnósticos e terapias, quanto de equipamentos. O desenvolvimento sempre crescente de novas tecnologias para construção de tomógrafos por emissão usados na medicina nuclear, a saber: SPECT (single photon emission computed tomography) e mais recentemente o PET (positron emission tomography)
(1)
, aliada à necessidade cada vez mais
urgente de diagnósticos precoces e rápidos, tem conduzido a novos patamares de interesse por radioisótopos, os mais diversificados possíveis. Diante dessa nova realidade, a busca por radioisótopos de meia-vida curta, que sejam emissores de um fóton único ou emissores de pósitrons(2) , tem se tornado um foco de grande interesse, pois tais radionuclídeos possuem características muito favoráveis à melhor qualidade dos diagnósticos. Atualmente, reatores e aceleradores de partículas são equipamentos utilizados como fontes fornecedoras de radioisótopos para aplicações nas mais diversas áreas, inclusive na de Medicina Nuclear, que os utiliza para estudos metabólicos “in-vitro” e “in-vivo”. Para estudos “in-vivo”, os radioisótopos produzidos em aceleradores são
preferidos
por
apresentarem
as
seguintes
características
técnicas
consideradas ideais:
emissões de fótons com energia apropriada para detecção(2,3,4),
2
emissão de pósitron
baixa dose de radiação para o paciente,
meia-vida curta,
propriedades químicas adequadas e,
alta atividade específica. Devido a essas características, esses radioisótopos despertam grande
interesse e atenção por parte da área de medicina nuclear, uma vez que, são novos produtos disponíveis, podendo se traduzir em maior eficiência na análise e diagnóstico de diversas disfunções orgânicas.
1.1 Histórico O IPEN iniciou suas atividades na área de produção de radioisótopos na década de 50, tornando-se, além de um Instituto de Pesquisas na área nuclear, também, um centro produtor de radioisótopos para as áreas de medicina, agricultura e indústria. A partir desse momento assume um papel comercial de grande importância perante a sociedade brasileira. Com o reator IEA-R1, foram obtidos os primeiros radioisótopos, através de reações nucleares, dando início à produção de diversos radionuclídeos, para as mais variadas finalidades: dentre esses radioisótopos tem-se o
131
I (Iodo-131)
que teve utilização pioneira na área de medicina nuclear no Brasil. Ainda hoje, o 131
I assume um papel de importância na medicina nuclear, tornando-se um dos
mais utilizados para diagnósticos e terapia. Porém, como era de se esperar o progresso ampliou os horizontes do conhecimento humano e da pesquisa, revelando novos radioisótopos mais eficientes que os já existentes. Seguindo esta linha de desenvolvimento, na década de 80 o IPEN, mais uma vez buscando a vanguarda da pesquisa e da tecnologia na área nuclear, coloca em operação um acelerador de partículas, o Ciclotron modelo CV-28, com características mais voltadas para pesquisa. Porém, com o passar do tempo, toma-se a decisão de utilizá-lo também para a produção de radioisótopos, tais como: o Gálio-67 (67Ga), o Flúor-18 (18F)e o próprio Iodo-123 (123I), assim como ocorria com o reator nuclear do IPEN. Nessa fase de progresso e novas fronteiras surge o Iodo-123 (123I), produzido através desse acelerador de partículas.
3
No final dos anos 80, iniciam-se as primeiras irradiações experimentais com o objetivo de atingir uma produção rotineira desse radioisótopo, para ser utilizado na medicina nuclear brasileira. No início da década de 90, o IPEN já produzia o 123I de forma comercial e o fornecia a centros de diagnóstico de medicina nuclear. Desse momento em diante, a demanda por esse radionuclídeo vem crescendo, criando uma necessidade de aumento da atividade produzida bem como da melhoria da qualidade do produto. Para fazer frente a tal realidade em 1995, iniciou-se um processo para aquisição de um novo Ciclotron, com características voltadas para uma produção comercial desses materiais, de forma a atender a demanda de mercado. Hoje, o Instituto, que assumiu um papel de produtor de radioisótopos para medicina nuclear, a cada dia vem buscando inovar-se tecnologicamente para atender de forma cada vez melhor e com maior qualidade todos os seus clientes e o compromisso com a sociedade brasileira.
4
CAPÍTULO 2
2
ACELERADORES DE PARTÍCULAS
2.1 Breve Histórico A história e concepção dos aceleradores tiveram seu início no final do século XIX com Joseph John Thomson
(5)
, que na época fazia experimentos com
tubos de "raios catódicos” e acabou mostrando que o átomo podia ser dividido. A evolução das pesquisas sobre a constituição do átomo, desencadeou a busca por uma máquina que pudesse acelerar partículas e átomos, pois se tinha grande interesse nas investigações nucleares. No início do século passado, nos anos 20, Cockroft e Walton
(6, 7)
construíram o primeiro grande acelerador de alta tensão. Os primeiros aceleradores construídos foram do tipo linear, os quais, até hoje são utilizados na pesquisa e na indústria. Em 1928, seguindo o caminho de outros pesquisadores, Wideröe
(6,7)
colocou em operação o primeiro acelerador linear, o qual foi utilizado para acelerar íons de sódio e de potássio. Esse tipo de acelerador, dependendo de seu porte, pode produzir partículas com maiores ou menores energias. Em 1929, Robert Van de Graaff construiu o acelerador de Van de Graaff
( 6, 7, 8, 9)
, também chamado de acelerador de corrente direta. Estes
aceleradores tiveram papel importante nos estudos das estruturas atômicas. São equipamentos muito confiáveis, e ainda, permitem realizar investigações com boa resolução e precisão. Seguindo
ao
desenvolvimento
desta
máquina,
surgiram
os
aceleradores de Van de Graaff Tanden e o acelerador Péletron Tanden e posteriormente os aceleradores circulares. Hoje, utilizam-se os aceleradores lineares para produção de elétrons de energias variáveis que, dependendo da energia, pode ser destinado a
5
vários usos, tais como: a investigação de física nuclear, médico-biológicas, estudo de partículas elementares, de estruturas nucleares e também aplicações industriais (10). Os aceleradores lineares, apesar de eficientes, apresentam um problema de ordem estrutural, pois a velocidade adquirida pela partícula é proporcional ao comprimento da máquina, onde ocorre a aceleração. Além disso, para que se possa manter o tamanho do acelerador dentro de parâmetros razoáveis, é necessário que o eletrodo seja pequeno. Isso obriga a utilização de altas freqüências, criando-se assim, uma dificuldade de trabalho, que é inerente à máquina. Na tentativa de solucionar tal problema, foram estudados aspectos e parâmetros da máquina. A partir destes estudos nasceu a concepção do acelerador circular, onde a partícula não mais descreve uma órbita linear, mas sim, uma órbita circular. Neste novo grupo de equipamentos estão incluídos: o Cíclotron, o Bétatron, o Síncroton entre outros (8, 9). Desse grupo mencionado, o foco de interesse é o ciclotron, pois é esse que se encontra instalado nas dependências do IPEN.
2.2 Ciclotron O ciclotron é uma máquina que foi criada com a finalidade de acelerar diversas partículas, com variadas faixas de energia, cuja faixa depende do tipo de construção. Sua versatilidade permite utilizá-lo em diversos campos, que vai desde a pesquisa fundamental até a aplicação prática. Este equipamento foi colocado em operação pela primeira vez em 1932 por Ernest Lawrence
(6, 8, 9)
, na
Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ele era capaz de acelerar partículas, a saber, prótons e dêuterons até altas energias, usadas em experiências de bombardeamento de núcleos atômicos. O ciclotron é composto basicamente por dois eletrodos ocos e isolados em forma de “Dê”, situados em uma câmara de vácuo, acoplados a uma fonte de alta tensão com um sistema de radiofreqüência, que aplica a estes eletrodos um campo elétrico, como pode ser visualizado na FIG. 1. Esta câmara de vácuo com os “Dês” está localizada entre os pólos de r um eletroímã, que cria um campo magnético, B , perpendicular ao plano destes eletrodos. A aceleração dos íons gerados no centro do ciclotron por uma fonte de
6
íons é feita pela combinação destes campos elétrico e magnético: o campo magnético força os íons a descreverem orbitais circulares no plano dos “Dês”, enquanto o campo elétrico acelera estes íons, “puxando-os” pela diferença de potencial que existe entre estes eletrodos, aumentando, desta maneira, o raio de sua trajetória e por conseqüência sua velocidade.
FIGURA 1 - Desenho esquemático do sistema de aceleração de partículas - ciclotron.
Em
um
ciclotron
clássico,
que
acelera
partículas
carregadas
positivamente (carga q = q ) de massa m (6, 9), o movimento desta partícula devido ao campo magnético é circular, de raio r com velocidade constante ν e a aceleração é a aceleração centrípeta de módulo a = v r . A força centrípeta é r r formada pela força magnética de módulo q ⋅ ν x B , então: 2
mν 2 = q⋅ v ⋅B r Esta condição é válida dentro do “Dê”, onde o campo elétrico é zero e a partícula descreve uma trajetória circular de raio: r=
mν qB
Isto demonstra que o raio da trajetória circular cresce de acordo com a velocidade da partícula. Os íons são acelerados repetidamente por meio da
7
diferença de potencial aplicada através da separação dos eletrodos. Quando a partícula atinge a borda do ”Dê” ocorre uma inversão de polaridade do campo elétrico, que a atrai para o outro “Dê”, feito pelo sistema de radiofreqüência. Ao sofrer esse processo de atração, a partícula sofre uma alteração de velocidade e de raio de trajetória, o qual aumenta a cada evento ocorrido. Dentro dos “Dês” a partícula não sofre a ação do campo elétrico, o qual é igual a zero, permanecendo em sua órbita circular. Esse processo acontece até o momento em que a partícula atinge a órbita mais externa dos “Dês” de raio R, onde está posicionado um defletor, que extraí a partícula, defletindo-a para linha de feixe. A energia cinética, κ , da partícula carregada emergente de um ciclotron de raio R é: 2 ( q • B • R) κ=
2m
A velocidade angular, ω = ν
r
, é dada por:
ω=
ν q = •B r m
Nota-se que, num campo magnético constante, ω depende de B e da razão q
m
.
A energia cinética da partícula acelerada em um ciclotron será tanto maior quanto maior for o raio do acelerador, atingindo-se um limite em virtude de efeitos relativísticos, onde a freqüência do movimento circular passa a depender da velocidade da partícula, para velocidades próximas da luz. De uma maneira genérica o princípio de funcionamento de um acelerador de partículas circular obedece à teoria acima descrita. É evidente que os equipamentos modernos que temos hoje, tem um grau de complexidade maior, envolvendo uma série de outros conceitos teóricos que devem ser considerados.
2.3 Os Ciclotrons do IPEN O IPEN, tenha sido criado para ser um Instituto de Pesquisas científicas e tecnológicas na área nuclear, possui uma infraestrutura de um Centro
8
Produtor de Radioisótopos, com capacidade de atender o mercado nacional. Nesse sentido, suas instalações são adequadas para essa finalidade. Em suas dependências, estão instalados dois ciclotrons com características bem diferentes. São eles: a)
Um de íons positivos, modelo CV-28, da empresa The Cyclotron Corporation. É um equipamento mais antigo, que foi adquirido com a finalidade de atender basicamente a área de pesquisa, portanto voltado para tal utilização. Atualmente está desativado.
b)
Um de íons negativos, modelo Cyclone-30, da empresa Ion Beam Applications (IBA), que é utilizado na produção comercial de radioisótopos de interesse em diagnósticos médicos e terapia. São eles: Gálio-67 (67Ga), Tálio-201 (201Tl), Flúor-18 (18F) e Iodo-123 (123I). O ciclotron, modelo CV-28, construído pela Empresa Americana The
Cyclotron Corporation, foi adquirido pelo IPEN na década de 70 e colocado em operação no começo dos anos 80. Esse equipamento é capaz de acelerar quatro tipos de partículas diferentes, tendo boa versatilidade e utilidade para a área de pesquisa com aceleradores. Na FIG. 2, pode ser visto o ciclotron CV-28, instalado no Centro de Aceleradores – CAC, no IPEN.
FIGURA 2 – Ciclotron CV-28 da The Cyclotron Corporation (TCC), instalado no IPEN.
9
Na TAB. 1 são mostradas as características deste equipamento, para que se tenha uma visão de sua aplicabilidade (11). TABELA 1 – Características dos feixes de partículas do ciclotron CV-28.
PARTÍCULA
ENERGIA ( MeV)
p
CORRENTE EXTERNA (µA)
CORRENTE INTERNA (µA)
Intensidade (min.)
Intensidade (máx.)
2 - 24
40
60
200
d
4 - 14
50
100
300
He++
6 - 36
5
50
135
He++
8 - 28
6
40
90
3 4
O ciclotron, modelo Cyclone-30 foi construído pela Ion Beam Applications (IBA) da Bélgica e instalado no IPEN no final da década de 90. Esse equipamento produz apenas feixes acelerados de prótons, com energia máxima de 30 MeV, tendo capacidade de produzir uma corrente de feixe superior a 300μA(12). Embora produza prótons acelerados, ele na verdade, acelera íons negativos (H¯) no interior das cavidades de seus Dês, sendo bem diferente do modelo CV-28 que acelera a partícula de bombardeamento do alvo. Nesse equipamento os prótons são extraídos utilizando um dispositivo denominado "stripper", que em sua extremidade possui uma folha de carbono, cuja função é transformar os íons negativos em prótons, ao passarem por ela. Esse tipo de equipamento embora produza apenas prótons, tem uma vantagem que é a capacidade de extrair feixe de partículas de forma mais simples e mais estável. A FIG. 3 traz uma fotografia panorâmica do interior da caverna, que abriga o acelerador Cyclone-30, nas instalações do Centro de Aceleradores Ciclotron –CAC, no IPEN.
10
FIGURA 3 - Ciclotron Cyclone-30 da Ion Beam Applications (IBA), instalado no IPEN.
Essa característica torna esse equipamento adequado para produções comerciais, quando os radioisótopos são produzidos por meio de reações nucleares com prótons. Na TAB. 2 a seguir são mostradas as características desse equipamento(11). Os aceleradores de partículas circulares, os ciclotrons, são uma evolução tecnológica que colaboraram no surgimento de novos radionuclídeos com propriedades particulares mais adequadas a utilização na medicina nuclear. Esses equipamentos estão difundidos pelo mundo e são essenciais na pesquisa e produção de radionuclídeos, como também em estudos sobre o comportamento e resistência de materiais, aos danos por radiação. Em razão da especificação técnica desses equipamentos, a saber, o seu tamanho, o tipo de partícula que acelera e a energia com que se pode produzi-la, determinam suas finalidades e usos. Por essas razões é que ao longo do tempo foram se difundindo e tendo as mais diferentes características, de acordo com os objetivos de cada centro de pesquisa ou produção.
11
TABELA 2 – Características do feixe de partículas do ciclotron Cyclone - 30.
Acelerada
H−
Extraída
H+
Máxima
30
Mínima
15
PARTÍCULA
ENERGIA (MeV)
CORRENTE (µA)
350
NÚMERO DE FEIXES
2
FONTE DE IONS
MULTICUSP
EXTRAÇÃO
Folha de Carbono
12
CAPÍTULO 3
3
O IODO Esse elemento químico, está situado no lado direito inferior da tabela
periódica e pertence ao grupo ou família dos Halogênios. Porém, diferente dos outros elementos de seu grupo, é o único que ocorre na natureza em estado de oxidação positiva; aliás, além desse, apresenta outros estados de oxidação. Por exemplo, na água do mar encontra-se na forma iônica de iodeto (I− ), com estado de oxidação negativo (-1). Embora apresente tais características, é um átomo, que, por possuir sete elétrons (7e−) em sua camada mais externa, sua eletronegatividade é bastante acentuada. Em solução aquosa o iodo pode apresentar-se nas formas iônicas de Íon Iodeto (I− ) e Íon Iodato (IO3− ), as quais são mais comuns. Por causa de seu raio atômico, tem certa facilidade de oxidar-se. Isso é evidenciado pela oxidação dos íons iodetos pelo ar, quando em solução. Essa oxidação é lenta em soluções alcalinas e neutras, mas torna-se apreciavelmente rápida em soluções ácidas. O iodo é uma substância pouco solúvel em água, porém sua solubilidade pode ser sensivelmente aumentada quando está na forma de iodeto(13). Esse elemento apresenta vários isótopos, sendo o único estável o Iodo-127 (127I); os demais são todos radioativos. Desse grupo de isótopos, os que são de interesse no presente trabalho são o Iodo-131 (131I) e o Iodo-123 (123I).
3.1 Os Radionuclídeos O
131
131
I e 123I
I, o primeiro radioisótopo produzido no IPEN, marcou o início da
Medicina Nuclear no País, sendo até hoje bastante utilizado tanto para diagnóstico quanto para terapia de certos casos de câncer.
13
É utilizado na forma de iodeto de sódio (Na131I) para cintilografias de tireóide, como também na forma de substâncias marcadas (os radiofármacos), para diagnósticos de disfunções de diversos órgãos e também em terapia. É utilizado para marcar moléculas orgânicas tais como: Hipuran, Soro Albumina Humana e Metabenzilguanidina. Atualmente,
o
radiofármaco
mais
produzido
de
131
I
é
o
metaiodobenzilguanidina, que é utilizado para exames de disfunção do miocárdio. Esse radioisótopo é obtido através de reações do tipo (n, γ) em reatores nucleares, utilizando-se como material alvo o óxido de telúrio (TeO2) encapsulado em recipientes de alumínio. O material é bombardeado com nêutrons no reator e a reação nuclear de formação do alvo o Telúrio-130 (130Te) é: O
123
130
131
I, tendo como material
Te ( n , γ ) 131I (14).
I teve sua produção iniciada no início dos anos 90 em virtude da
necessidade de atender a área de medicina nuclear brasileira. Embora sua produção e utilização iniciais tenham sido discretas, foi um marco importante para a Instituição do ponto de vista tecnológico e científico. Esse radionuclídeo, assim como o isótopo radioativo o 131I, possuem as mesmas características químicas e ambos podem ser utilizados para as mesmas finalidades. O
123
I é um radioisótopo produzido em ciclotron, podendo utilizar-se
mais de um tipo de material alvo. Como exemplo pode-se citar: o óxido de telúrio (TeO2) enriquecido, o Iodo (127I) natural e gás Xenônio (124Xe) enriquecido. Por ser um material de ciclotron, pode ser obtido por diversos tipos de reações nucleares, as quais são citadas no decorrer do trabalho. Para melhor visualizar as propriedades de um e outro radioisótopo, logo abaixo, mostra-se uma tabela com os respectivos dados. Pela TAB. 3, tornam-se compreensíveis as considerações de superioridade do
123
I em relação ao
131
I, pois realmente o
123
I é um radioisótopo
que possui propriedades mais adequadas a utilização em diagnóstico, especialmente quando se trata de crianças. Uma vez que os raios gamas emitidos têm energia menor, as imagens produzidas em sistemas do tipo SPECT (single photon emission computed tomography) e SPET (single photon emission tomography) possuem melhor qualidade.
14 TABELA 3 – Características dos radioisótopos 131I e 123I. 131
123
I
PROPRIEDADES
I
γ, β−
γ, EC
Meia-Vida
8,04 dias
13,2 h
Energia do γ Emitido
364 keV
159 keV
Múltiplos β− (69 – 190) keV
Elétrons Auger De baixa energia
~ 15 Ci / semana
~1 Ci / semana
Forma de Decaimento
Outra Emissões Quantidade Vendida
Do ponto de vista do paciente o
123
I apresenta sensíveis vantagens,
pois é muito mais adequado para aplicação "in vivo", já que as doses de radiação as quais estão expostos os pacientes são mais baixas. Isto se deve, principalmente em decorrência de sua meia-vida curta (T1/2 =13,2h), ausência de emissores beta e da energia do fóton emitido, que possui um valor aproximadamente 50% menor em relação ao gama do 131I. Nesse panorama, o à sua finalidade que o
131
123
I demonstra ser um radionuclídeo mais eficiente
I, pois hoje, cada vez mais se buscam produtos que
preservem ao máximo a saúde humana e tenham grande eficiência. Embora as vantagens do
123
I apresentadas sejam relevantes, sabe-se
que o produto ideal é muito difícil de ser alcançado. Sendo assim, esse produto também apresenta desvantagens, uma delas é o custo, que é bem maior quando comparado ao
131
I. Outro fator é sua meia-vida (T1/2) de 13,2h, que impossibilita
sua utilização por períodos de tempo tão longos como ocorre com o 131I.
15
CAPÍTULO 4
4
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Segue, uma breve revisão bibliográfica mostrando alguns dos trabalhos
desenvolvidos, em ordem cronológica. Os métodos de obtenção e produção de 123
I serão abordados no capítulo seguinte. Já em 1962, W. G. Myers e H. Anger
(15)
apontavam o
123
I como um
radioisótopo de futuro promissor, em função de suas propriedades quando comparado ao seu isótopo radioativo 131I. Com relação ao método de obtenção do 123
I, citam a respeito da utilização de Antimônio (Sb) enriquecido a 99,4% em
Antimônio-121 (121Sb), na forma de pó metálico como material alvo. Para a irradiação, foi usado um ciclotron capaz de acelerar partículas alfa (4He ) com energia de 30 MeV. A reação nuclear de obtenção do 121
4
Sb ( He , 3n )
123
123
I foi a seguinte:
I . Segundo esse método a contaminação de Iodo-124 (124I) na
solução final seria muito pequena. Em 1967, um estudo realizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge por H. B. Hupf, J. S. Eldridge e J. E. Beaver
(16)
visou produzir
123
I, devido ao seu
potencial para uso médico. Para tanto, foi utilizado telúrio em pó, enriquecido isotopicamente, a 79,2 % em Telúrio-123 (123Te). Tal grau de enriquecimento visa minimizar a presença de outros isótopos radioativos. Esse material foi acondicionado em um suporte com uma cavidade semicircular de alumínio, o qual foi preenchido com o telúrio. O alvo foi irradiado com um feixe prótons de energia de aproximadamente 15 MeV e posteriormente processado para obter o reação:
123
Te ( p , n ) 123I .
123
I através da seguinte
16
Em uma publicação de 1972, M. A. Fusco, N. F. Peek, J. A. Jungerman, F. W. Zielinski, S. J. DeNardo e G. L. DeNardo produção de
123
I a partir do alvo de
127
(17)
, estudaram a
I natural ultra puro, bombardeado com
prótons de energia na faixa de 42,5 a 62 MeV, e verificaram qual a energia mais adequada para irradiar o
127
I. Como suporte, do alvo foi usado uma placa de
tântalo, com uma cavidade de 6,5 mm de diâmetro e 1,2 mm de profundidade. Para evitar perdas por volatilização durante a irradiação foi colocado na frente do alvo uma folha fina de tântalo com espessura de 0,25 mm. Para a energia ótima de prótons, que foi de 57,5 MeV. As duas reações possíveis eram:
127
I ( p, 5n )
123
Xe e
127
I( p , 3n )
125
Xe . No final do processo ainda assim
haveria um contaminante presente, o Iodo-125 (125I), embora em quantidade discreta, em torno de 0,1% em relação à atividade de 123I. Em 1975, no laboratório de Brookhaven nos Estados Unidos, M. Guillaume, R. M. Lambrecht e A. P. Wolf para produzir
123
(18)
fizeram uma série de experimentos
I por mais de um tipo de reação nuclear, utilizando um ciclotron.
Para tanto, foram utilizadas partículas 4He (alfa) com energia de 43,2 MeV e partículas 3He (hélio-3) com energias de 32 e 35 MeV. Como material alvo, foi usado telúrio metálico enriquecido isotopicamente em Telúrio-122 (122Te), Telúrio123 (123Te) e Telúrio-124 (124Te) respectivamente, sendo o
122
Te utilizado na
reação com partículas alfa e os demais com hélio-3. Todas as irradiações foram realizadas usando-se um porta-alvo do tipo frontal, construído em alumínio, com folhas monitoras de cobre na frente do portaalvo e uma janela de alumínio para manter a integridade do alvo. Os resultados demonstraram que a adequação do alvo depende do ciclotron disponível e que nessas reações também aparece como contaminante o 125I. Em 1976, K. Kondo, Lambrecht e Wolf
(19)
, no Laboratório de
Brookhaven nos Estados Unidos, fizeram novos estudos com telúrio metálico enriquecido isotopicamente a 99,87% e 91,86% respectivamente em
124
Te,
irradiando-os com prótons de aproximadamente 28 MeV. Nesses estudos foi utilizado um porta-alvo com um colimador de 3/8” de diâmetro para delimitar a área de ativação. O foco principal era a análise das funções de excitação para as reações nucleares:
124
Te ( p , 2n )
123
Ie
124
Te ( p , n )
124
I, considerando os dois
17
níveis de enriquecimento. Com isso, pode-se estabelecer também o grau de contaminação de 124I presente no produto final. Em Karlsruhe na Alemanha, em 1979, K. H. Assumus, K. Jäger, R. Schütz, F. Schulz e H. Schweickert (20) , utilizando prótons com uma energia de 26 MeV, realizaram um estudo e análise de dados a partir da produção rotineira de 123
I. Para produzir o radioisótopo tem-se um porta-alvo com refrigeração traseira e
frontal de água, com uma janela de Cu-Be (cobre-berílio). Como material alvo foi usado o óxido de telúrio enriquecido a 96% em 124Te sobre um suporte de platina. Em 1986, Mahmoud L. Firouzbakht, Ren-Rui Teng, David J. Schlyer e (21)
Alfred P. Wolf
, no Laboratório de Brookhaven nos Estados Unidos,
apresentaram estudos realizados em acelerador do tipo Van de Graaff, com correntes de feixe de prótons extremamente baixas, da ordem de 500 nA, com energia na faixa de 16 a 33 MeV. As irradiações foram realizadas utilizando-se como material alvo o gás Xenônio com dois valores de enriquecimento em
124
Xe, um com 40% e outro com
20% de enriquecimento. Para esse tipo de material utilizou-se um porta-alvo gasoso, de custo extremamente elevado, onde as válvulas do sistema são especiais, de alta confiabilidade e o sistema de controle deve manter todos os parâmetros operacionais em condições normais, garantindo uma irradiação segura, no sentido de minimizar o risco de vazamento de gás, uma vez que seu custo também é muito alto. Na publicação escrita por N. V. Kurenkov, A. B. Malinin, A. A. Sebyakin e N. I. Venikov
(22)
em 1988, mostram estudos feitos para obtenção de
123
I, a
partir de reações nucleares induzidas por prótons. Eles partem do método mais eficiente para obtê-lo, que é a partir da irradiação do gás xenônio enriquecido a 99,9% no isótopo
124
Xe. Nas irradiações, utilizou-se um ciclotron com capacidade
de acelerar prótons com uma energia variável de 15 a 33 MeV aproximadamente. Os resultados demonstraram qual a faixa de energia mais adequada para se produzir tais reações, e obtendo-se o melhor rendimento.
18
Em 1989, V. Bechtold, N. Kernert e H. Scweickert
(23)
mostraram um
estudo realizado num Instituto em Karlsruhe, onde se produzia de forma rotineira o
123
I ultra puro, proveniente da irradiação do gás Xenônio com enriquecimento
superior a 99,8% em 124Xe. Nas irradiações, foi utilizado um ciclotron de energia variável de 15 a 40 MeV, dedicado à aplicações em Medicina Nuclear e Indústria. O sistema de irradiação utilizado, desenvolvido no próprio País, compõe-se de duas partes principais, o porta-alvo e o sistema de controle automatizado via CLP. O porta-alvo foi construído em alumínio e sua câmara interna revestida com níquel. Nas produções foram utilizados prótons com energia de 30 MeV e intensidade de corrente de feixe superior a 50 µA, com uma duração de seis horas. Os resultados demonstraram uma boa eficiência do conjunto, onde o rendimento obtido foi de 10 mCi/µAh, para as condições estabelecidas. Além disso, o
123
I obtido no processo tinha alta pureza, atendendo as expectativas e
regulamentações estabelecidas no País. Em 1982, Robert Robertson e Donald C. Stuart Canadá uma patente de produção de Xenônio enriquecido em
124
123
(24)
, registraram no
I, utilizando como material alvo o gás
Xe. Nesse processo utiliza-se prótons com energia de
aproximadamente 30 MeV. No processo são previstos dois modos de operação. Um para irradiações curtas, onde ao final da irradiação o gás irradiado é transferido para um vaso de repouso, resfriado com nitrogênio líquido e fica aguardando a formação do
123
I. O outro gás irradiado é mantido dentro do próprio
porta-alvo, esperando um intervalo de tempo para formação do
123
I. Do ponto de
vista do processo de irradiação são iguais, diferenciando-se apenas na forma de armazenamento do gás irradiado.
19
CAPÍTULO 5
5
MÉTODOS DE OBTENÇÃO DE 123I Na literatura são encontrados cerca de 25 processos nucleares para
obtenção do 123I (11, 17, 18, 19, 20, 21, 23,
25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41)
, nos
quais se utilizam várias rotas diferentes, sendo os materiais alvos escolhidos em razão da reação nuclear proposta. Os processos existentes podem ser divididos em dois grupos principais e determinam os tipos de reações possíveis de ocorrer. Essas reações influenciam diretamente na quantidade e na qualidade do produto final obtido. Esses grupos são classificados como: 1.
Processos Diretos
(19, 20, 28, 29, 31, 34, 36)
- são os processos que utilizam reações
nucleares com prótons (p), dêuterons (d), hélio-3 (3He) e alfa (α), induzindo a formação do radionuclídeo
123
I. Nessas reações nucleares podem ser usadas
substâncias como: telúrio enriquecido (Te), Antimônio (Sb) e Xenônio (Xe). Em conseqüência da partícula escolhida e que está diretamente ligada ao tipo de equipamento existente, as reações de formação do radionuclídeo são as seguintes: •
123
Te ( p , n ) 123I
•
122
Te ( d , n ) 123I
•
121, 123
•
121
Sb ( α , 2n ) 123I
•
123
Sb ( α , 4n ) 123I
•
124
Te ( p , 2n ) 123I
•
124
Xe ( p , 2p ) 123I
Sb ( 3He , xn ) 123I
20
2.
Processos Indiretos
(11, 17, 21, 22, 25, 27, 33, 34, 35, 37, 38, 39, 40)
- são aqueles em que
as reações nucleares produzem um radionuclídeo precursor, ou seja, que antecede o que se deseja obter. Por meio de decaimento radioativo, esse radionuclídeo se transforma no de interesse. No caso específico várias reações geram seu precursor, no caso o
123
•
127
I ( p , 5n ) 123Xe
•
127
I ( d , 6n ) 123Xe
•
123
Te ( 3He , 3n ) 123Xe
•
124
Te ( 3He , 4n ) 123Xe
•
122
Te ( α , 3n ) 123Xe
•
127
I (α , x ) 123Xe
•
Cs ( p , spall ) 123Xe
•
Ba ( p , spall ) 123Xe
•
La ( p , spall ) 123Xe
•
Cs ( p , spall ) 123Xe
•
I ( p , spall ) 123Xe
•
Ba ( p , spall ) 123Xe
•
La ( p , spall ) 123Xe
•
124
•
124
Xe ( d , 3n ) 123Cs
123
Xe
•
124
Xe ( p , 2n ) 123Cs
123
Xe
•
124
Xe ( p , pn ) 123Xe
•
124
Xe ( p , pn + np ) 123Xe
200 – 590 MeV
660MeV
Xe ( d , p2n ) 123Xe
123
I,
Xe (Xenônio-123). Para
esse tipo de condição, as possíveis formas de obtenção do ter, são as seguintes:
do
123
I que se pode
21
Embora todas as reações nucleares acima citadas sejam possíveis, principalmente quando se refere a métodos de obtenção experimental, é bom lembrar que qualquer um deles só pode ser realizado se estiver à disposição um equipamento com características adequadas para tal finalidade. Nesse sentido, todo esse novo rol de reações nucleares só se tornou possível graças à concepção e construção de aceleradores de partículas, que transformaram o horizonte da pesquisa na área nuclear. Cabe salientar que, muitos métodos de obtenção nem sempre se tornam métodos de produção, mesmo sendo uma grande contribuição, seja ponto de vista científico, seja como parâmetro de análise de viabilidade e conhecimento. No caso do
123
I mais especificamente, muitos métodos alternativos de
obtê-lo foram pesquisados, pois ele surgiu como um concorrente direto ao
131
I,
pelas vantagens que apresenta em relação ao benefício do paciente. Além disso, muitos elementos químicos podem ser usados, produzindo quantidades significativas desse radionuclídeo. Todas essas pesquisas permitiram que mais de um método pudesse ser utilizado para produzi-lo ao longo do tempo. 5.1 Métodos de Produção de 123I Quando o objetivo é transformar um método de obtenção de um radioisótopo em um processo de produção, em escala comercial, os parâmetros de análise são um pouco diferentes, pois, além dos parâmetros técnicos, devem ser analisados também os econômicos. Para atender as necessidades do mercado consumidor, o produto deve ter características que o tornem comercializável, caso contrário dificilmente se estenderá além dos limites do laboratório. Como a ênfase é um método de produção que possa fornecê-lo em quantidades suficientes para atender um mercado consumidor, alguns deles se despontaram como possíveis e utilizáveis. A seguir são mostrados processos de produção que podem ser utilizados para atender tais necessidades, são eles:
22
a-
124
Te (p, 2n) 123I Este foi o processo direto mais investigado para produzir o
123
I. Alguns
países como Itália, Canadá, Alemanha, Holanda e Brasil utilizaram o óxido de telúrio com enriquecimento isotópico em
124
Te superior a 90%, para produzi-lo,
onde o alvo era irradiado com prótons na faixa de energia de 21 até 28 MeV e posteriormente, processado por destilação via seca para obter o produto final. Embora esse método possibilitasse obter bons resultados em termos de rendimento, a quantidade produzida atinge apenas algumas centenas de mCi de 123
I por irradiação, valores em torno de 100-500mCi ao final da irradiação (EOB-
end of bombardment) que, nem sempre é suficiente para atender o mercado consumidor. Dependendo das condições da irradiação, apresenta um rendimento médio que pode variar de 4,0 até 10 mCi/μAh(20). Embora não seja um valor ruim, já não é mais conveniente para produções em escalas maiores. Essa condição limitante se deve ao fato de o material alvo ser um óxido, que possui uma baixa condutividade térmica, ou seja, é um mau condutor de calor. Em razão desse fator, existe uma limitação da intensidade de corrente do feixe de prótons que, por conseqüência, acaba limitando à obtenção de baixas atividades de 123I. O método de produção, por meio dessa reação nuclear apresenta ainda um outro inconveniente: além de produzir o é produzido também um outro radioisótopo, o
124
123
I, radionuclídeo de interesse,
I, considerado um radionuclídeo
contaminante. Embora a quantidade produzida seja muito pequena em relação à atividade de 123I, é um contaminante que está sempre presente. Como a meia-vida do
124
I é de 4,15 dias, muito maior que a do
123
I de
13,2 h, há um aumento percentual dessa impureza com o decorrer do tempo, restringindo sua aplicação em diagnósticos, pois pode exceder os limites máximos permitidos pelas regulamentações. Por isso, faz-se necessário um controle rigoroso de qualidade do produto. A energia do feixe de prótons para a reação nuclear de formação do 123
I, foi estabelecida segundo a curva de excitação para essa reação. No gráfico
apresentado na FIG. 4, pode ser observada a faixa de energia mais favorável à obtenção do radioisótopo em função da secção de choque do material alvo.
23
Observando-se os dados apresentados no gráfico, nota-se duas situações claramente distintas, uma é o crescimento dos valores da secção de choque do
123
I, com o aumento da energia do próton incidente, atingindo o valor
máximo com energia próxima de 25 MeV. Outra, é com relação ao
124
I, cuja curva
possui uma característica bem diferente. No início há um crescimento acentuado, até valores próximos de 14 MeV e para valores superiores, inicia-se uma curva decrescente acentuada , onde o valor de secção de choque diminui rapidamente conforme aumenta a energia do próton incidente.
FIGURA 4 – Curva da função de excitação do 123I para irradiação com prótons de 124Te enriquecido a 99,87%.
Confrontando-se as curvas, fica evidente que a faixa ótima de trabalho para essa reação deve estar entre 20 e 26 MeV, pois nesse intervalo de energia a obtenção de
123
I é maximizada, enquanto a quantidade de
diminuindo o percentual presente no produto final.
124
I é minimizada,
24 127
b-
I (p,5n) 123Xe →
123
I
É um dos processos indiretos que permite elevado rendimento, acima de 10 mCi/μAh. Porém, requer um ciclotron com capacidade de acelerar prótons com energia próxima aos 65 MeV. Um equipamento desse porte tem elevado custo de investimento e operacional, sendo inviável para determinados centros de produção e/ou pesquisa (27, 33). Nesse caso, utiliza-se como material alvo o iodo natural, na forma química de sal, o Iodeto de Sódio (NaI). Essa substância tem um inconveniente, por tratar-se de um material higroscópico, é necessário tomar cuidado na fabricação do alvo, a fim de evitar a absorção excessiva de moléculas de água no alvo. Um outro cuidado se faz necessário, o alvo deve ser selado, para evitar vazamento dos gases formados pelas reações, a saber: o Xenônio-123 (123Xe) e o Xenônio-125 (125Xe). Mesmo porque o
123
Xe sendo o precursor do
123
I, não pode
ser perdido. Nesse processo não há formação de
124
I, em compensação, há
formação de um outro isótopo radioativo, também considerado um contaminante, o 125I. A reação de formação desse radionuclídeo é: 127I ( p, 3n ) 125Xe →
125
I.
Embora o valor presente seja pequeno, inferior a 0,7%, a relação de 125
I/
123
125
I ter uma meia-vida de 60,25 dias, a qual é bem maior quando comparada ao
I cresce em decorrência do fator tempo. Tal ocorrência se deve ao fato do
do 123I, de 13,2h. Atualmente, apenas dois ciclotrons (na Bélgica e Inglaterra) estão trabalhando comercialmente com esse processo de produção. Todavia, em nível modesto, suficiente apenas para atender a demanda local. Na FIG. 5 são mostradas as curvas das funções de excitação do e
125
123
Xe
Xe para reação com prótons, pois é de grande importância a relação de
formação 125I / 123I.
25
FIGURA 5 - Curvas da função de excitação do 123Xe e de
125
Xe para irradiação com prótons
127
I natural.
Observando-se as curvas do gráfico, nota-se uma faixa de valores de energia do próton incidente, que inicia em 50 MeV e estende-se até os 65 MeV aproximadamente, para a qual, têm-se os maiores valores de secção de choque do 123Xe, estando o ápice da curva em torno dos 55 MeV e sendo a energia ótima, 57,5 MeV(17). Nesse mesmo intervalo de energia a curva do
125
Xe possui
característica diferente, assumindo valores menores a cada ponto, descrevendo uma curva decrescente. Confrontando-se as duas curvas, comprova-se que a faixa ótima de trabalho da reação de formação do maximização na obtenção de
123
123
I, é realmente essa, pois há uma
Xe, enquanto a quantidade de
125
Xe é
minimizada, melhorando a qualidade do produto final, com relação ao nível de contaminante.
26
c- 124Xe (p,2n) 123Cs → 124
123
Xe (p,pn) 123Xe →
Xe →
123
123
I
I
Esse processo tem uma grande vantagem em relação aos demais, pois permite a obtenção de
123
I ultra puro, com pureza superior a 99,9%. Atualmente é
o método de produção mais utilizado comercialmente, em virtude da sua eficiência. Uma das partes sensíveis deste processo é o gás usado na irradiação. Primeiro, porque o gás xenônio é enriquecido em
124
Xe (enriquecimento superior
a 99%), tornando-o um material caro, pois os processos de enriquecimento isotópico agregam uma tecnologia muito sofisticada e de alto custo. E segundo, porque a abundância na natureza é muito pequena, em torno de 0,1% e possui nove isótopos naturais, a saber: o 134
Xe e
136
124
Xe,
126
Xe,
128
Xe,
129
Xe,
130
Xe,
131
Xe,
132
Xe,
Xe. Mesmo assim, o preço do gás no mercado internacional vem
caindo. Um outro ponto a ser analisado com cuidado, é o sistema de irradiação, que também envolve uma tecnologia sofisticada e de custo elevado, pois a concepção do projeto é bem diferente das outras por ser um sistema para irradiações com gases. As estimativas de investimento para um projeto dessa natureza, é superior a um milhão de dólares americanos. Em virtude desses fatores o custo de implantação do processo de produção do
123
I por essa metodologia é bastante alto, sendo viável apenas se há
um mercado promissor. Atualmente, apenas duas empresas no mundo fabricam e fornecem comercialmente estes sistemas de irradiação: FZK-Alemanha(23) e EBCOCanadá(42), destacando-se este último, que é amplamente utilizado pela maioria dos centros produtores de 123I. A despeito do inconveniente do elevado investimento inicial, é o processo que permite uma produção de altas atividades de Hoje,
muitos
ciclotrons
I por irradiação.
instalados em todo o mundo estão operando
comercialmente com esse sistema a 3 Ci por irradiação
123
(43)
, que tem capacidade de produção superior
(44)
. Isso é extremamente positivo, pois a demanda por esse
radioisótopo vem crescendo ano a ano, mesmo nos países em desenvolvimento, como é o nosso caso.
27
Embora seu custo seja alto é conveniente ter-se um sistema semelhante a esse, pois cada vez mais as farmacopéias estão estabelecendo limites mais restritivos com relação ao grau de impurezas presentes nos produtos, especialmente os injetáveis. Por essas razões, além da questão tecnológica, é importante e necessário a aquisição ou desenvolvimento dessas tecnologias, sobretudo quando se deseja ser um produtor e acompanhar a evolução das exigências qualitativas e regulamentares. Na seqüência é mostrado um gráfico com valores da secção de choque em função da energia do próton incidente. Pode-se ver na FIG. 6 duas curvas distintas, referentes às reações mencionadas no início do item c. Tomando-se como base esse gráfico é possível encontrar qual é a melhor faixa de energia do próton para produzir o 123I.
FIGURA 6 – Curvas da função de excitação do 124Xe enriquecido a 99,9% para irradiação com prótons.
Analisando-se o gráfico, pode-se estabelecer o intervalo ótimo para a reação do
124
Xe, produzindo o
123
Xe. Embora não seja o radionuclídeo de
28
interesse, é o seu precursor. Observando-se os valores de energia do próton incidente, verifica-se que para prótons com energia de 18 MeV inicia-se uma faixa de valores ascendentes da secção de choque, que corresponde com o aumento da energia do próton; atingindo o ápice por volta dos 24 MeV. Em seguida iniciase uma curva decrescente e perto dos 35 MeV os valores da secção de choque não são favoráveis para uma boa produção de 123Xe. Para a faixa de energia de prótons de 20 a 30 MeV, na verdade, trabalha-se com a melhor parte da curva, onde a produção é maximizada e aproveita-se também o rendimento da reação que produz diretamente o
123
Xe.
Portanto, não há necessidade de estender essa faixa de energia, pois o ganho de rendimento é muito pequeno.
29
CAPÍTULO 6
6
PRODUÇÃO DE 123I NO IPEN Nos últimos quinze anos, para atender a crescente necessidade da
medicina nuclear, com relação ao radioisótopo buscando
atender
as
exigências
das
123
I com elevado teor de pureza, e
regulamentações
da
farmacopéia
internacional, houve um esforço considerável para consolidar processos para produção rotineira e comercial, de 123I pela Instituição. Nesse sentido o IPEN, iniciou sua produção rotineira de o método direto
123
I, utilizando
(45)
, ou seja utilizando óxido de telúrio enriquecido. Primeiro
porque na ocasião, estava em funcionamento o ciclotron CV-28, que acelerava prótons com energia de apenas 24 MeV, segundo porque um sistema de irradiação de alvo gasoso tem um custo de implantação elevadíssimo, impossibilitando sua aquisição no momento e terceiro a demanda não era tão grande que justificasse tal iniciativa. 6.1 Sistema de Irradiação de Alvo Sólido de 124TeO2 Nesse tipo de processo utiliza-se um sistema de irradiação do tipo frontal, onde o alvo é posicionado a 90° em relação ao feixe de partículas. Seu corpo é construído em alumínio, com refrigeração posterior e frontal, com água resfriada a aproximadamente 10°C. Esse sistema pode ser visto nas fotos das FIG. 7 e 8, onde se tem uma visão panorâmica. Com a evolução do conhecimento e absorção das novas tecnologias, a Instituição foi se dotando da infraestrutura necessária para atingir o patamar seguinte, que era a produção utilizando o método indireto, o qual é muito mais sofisticado e de alto custo. O primeiro passo dado pelo IPEN nesse sentido foi a aquisição de um novo acelerador de partículas, que fosse mais adequado a essa finalidade, mas
30
que ao mesmo tempo pudesse ser utilizado para produzir também outros radioisótopos de interesse em medicina nuclear.
FIGURA 7 – Foto do sistema de irradiação frontal para óxido de telúrio enriquecido, para produção de 123I, por via direta.
FIGURA 8 - Foto do sistema de irradiação frontal, vista interna, com o alvo de óxido de telúrio enriquecido.
31
A etapa seguinte que exigiu grande esforço e dedicação, foi a implantação de um programa que viabilizasse o desenvolvimento de uma tecnologia própria para a produção deste radioisótopo, pois, além de poder gerar parâmetros para futuros interessados na construção de dispositivos desta natureza, e formar recursos humanos na área desta sofisticada tecnologia, amplia ainda mais o conhecimento científico da Instituição. Além disso, a Instituição tem grande interesse em produzir esse radioisótopo porque já existe uma demanda de mercado para sua utilização, o que é importante para a realização deste projeto (11). O sistema foi desenvolvido no IPEN tornando possível a obtenção do radioisótopo
123
I a partir da irradiação do gás
124
Xe com prótons em ciclotron. O
objetivo foi o desenvolvimento de tecnologia própria de um sistema de irradiação e processamento para obtenção de
123
I ultrapuro, seguindo o exemplo de outros
grandes centros mundiais de produção de radioisótopos que utilizam o processo indireto para obter o 123I. Este projeto foi baseado tanto no modelo canadense (câmara de irradiação reta), como no modelo alemão (câmara de irradiação cônica). O desenvolvimento desta tecnologia também corrobora com o investimento realizado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, na aquisição e instalação do novo ciclotron Cyclone-30 no IPEN. Uma vez instalado, entrou em operação no final da década de 90. Além disso, esse método complementaria a tecnologia já existente, sem o inconveniente da contaminação do produto final com
124
I, embora em
quantidades discretas. Um outro fator superado foi a limitação da corrente de feixe no alvo e, conseqüentemente, a quantidade em termos de atividade produzida de
123
I. Isto com certeza se constituiria no primeiro desenvolvimento
genuinamente nacional de um sistema deste porte. Com a infra-estrutura necessária (o ciclotron – CYCLONE-30), sem a qual não seria possível a realização deste projeto, tornou-se necessário o desenvolvimento de um sistema de irradiação que fosse compatível com o máximo rendimento da reação de formação do
123
I, com a densidade de potência
depositada pelo feixe no alvo e de um processo de separação química do radioisótopo em questão. Três Centros no IPEN estiveram envolvidos nesta
32
etapa: CAC, CTR e CR. Neste sentido, foram levados em consideração alguns parâmetros, que serviram como base do projeto: a)
propriedades físicas e químicas do alvo, de modo a suportar correntes elevadas e resistir à decomposição radiolítica;
b)
quantidade, pureza e nível de enriquecimento do alvo;
c)
facilidade de separação química do radionuclídeo desejado;
d)
atividade específica do produto;
e)
recuperação do material alvo, por tratar-se de material enriquecido;
f)
reatividade química do alvo e
g)
sistema de refrigeração com alta eficiência para remoção de calor em volumes concentrados. Levando-se em consideração essas exigências, o programa de
produção de
123
I foi dividido em dois sistemas distintos, mas complementares:
sistema de irradiação do alvo e sistema de processamento do alvo irradiado. 6.2 Sistema de Irradiação de Alvo Gasoso de 124Xe A concepção de sistemas de irradiação para alvos gasosos deve considerar alguns requisitos básicos bastante importantes para o sucesso do projeto. Primeiro é o tipo de material, no caso um gás, que é difícil de mantê-lo em um sistema fechado e segundo, são os produtos desta irradiação, que normalmente ficam adsorvidos nas paredes internas da câmara de irradiação. Nesse contexto, um dos mais importantes diz respeito à questão da confiabilidade do sistema: devendo ser seguro o suficiente para garantir as diversas operações necessárias inerentes ao processo e deve evitar perdas do material alvo. Como o gás a ser manipulado é uma substância de alto custo, não é possível descartá-la a cada irradiação. Dessa maneira, o gás utilizado na irradiação deve ser recuperado e novamente armazenado para uma nova irradiação posterior. Sempre é bom lembrar que se está trabalhando com um gás com grau de enriquecimento isotópico superior a 99,8%. Um outro ponto importante é a questão das falhas do sistema, que sempre há o risco de ocorrer, mesmo que seja muito pequena. Sendo assim,
33
deve ser dotado de dispositivos de segurança que possam atuar a qualquer momento, evitando-se perdas do gás. Destaca-se, neste sistema, que após o colimador de feixe, cuja função primordial é delimitar a área a ser irradiada, existem duas janelas de material metálico, que separam o vácuo do ciclotron e o gás
124
Xe utilizado como material
alvo, aprisionado na câmara de irradiação. A pressão de trabalho durante a irradiação é um fator importante a ser considerado, uma vez que se pode ter uma pressão interna da ordem de 10 a 12 bar. A FIG. 9 mostra uma foto do protótipo pronto, já em fase de montagem. As válvulas e conexões foram acopladas para a realização dos primeiros testes de estanqueidade da câmara interna, da câmara externa de refrigeração com água e da peça onde são acopladas as janelas de molibdênio, por onde passa o hélio que as refrigeram. A construção da câmara de irradiação exige alguns cuidados, de forma a se obter um conjunto que suporte tais condições de trabalho. Nesse protótipo, optou-se por uma câmara de paredes paralelas, ou seja, reta, pois sua construção é um pouco mais fácil, quando comparada à outra. Para realizar a troca térmica do sistema utiliza-se a água como líquido refrigerante. Aqui se tem outro fator importante a ser considerado na construção, pois é imprescindível a eficiência na retirada da energia térmica gerada pelo feixe durante o processo de irradiação do alvo, que pode chegar a causar até uma ruptura da câmara, sendo este um incidente grave. O sistema de irradiação tem dupla finalidade. A primeira é permitir a irradiação e garantindo que não se perca o gás durante a irradiação e segundo, o produto da reação nuclear com os prótons deve ficar aderido, com a máxima eficiência possível, às paredes da câmara de irradiação. Após a irradiação o gás é recolhido e armazenado, e o radionuclídeo resultante, o 123I, que é retirado por um processo de lavagem das paredes internas com uma substância líquida. Essa solução é, recolhida em um frasco apropriado e enviado para o processamento químico e purificação, obtendo-se o produto final.
34
FIGURA 9 – Foto do porta-alvo gasoso de 124Xe, já em fase de montagem.
Na escolha do tipo de porta-alvo construído, foram levadas em consideração algumas questões de relevância: a)
O porta-alvo seria de alta pressão e pequeno volume ou de baixa pressão e grande volume?
b)
Qual seria o método utilizado para recuperar o gás após a irradiação e qual o utilizado para o recolhimento do produto formado?
c)
Qual seria a substância de lavagem do porta-alvo, que retiraria o produto aderido nas paredes?
35
d)
Essa lavagem seria a frio ou a quente?
e)
As janelas do porta-alvo seriam refrigeradas com gás hélio ou seriam mantidas em vácuo apenas?
f)
O sistema como um todo seria controlado manualmente ou seria um sistema semi ou inteiramente automatizado? Depois de analisar essa série de questões, construiu-se por um
sistema de irradiação que obedece ao fluxograma apresentado na FIG. 10 e na FIG. 11 é mostrada uma foto do sistema montado e acoplado à linha de feixe do Cyclone-30. Este conjunto constitui-se basicamente das seguintes partes: câmara de irradiação, equipamento de refrigeração das janelas com gás Hélio, sistema para fazer vácuo na câmara, sistema de carga, descarga e armazenamento do gás, sistema de lavagem do porta-alvo (câmara de irradiação) e retirada e envio da solução para a “hot cell”.
FIGURA 10 - Fluxograma do sistema de irradiação.
36
FIGURA 11 – Foto do sistema de irradiação com porta-alvo de grande volume, acoplado a linha de feixe do Cyclone-30.
Para efetuar o recolhimento do
123
I pelo processo de lavagem, usou-se
pela água, pois demonstrou ser eficiente para tal finalidade. Com relação a questão, a que temperatura seria realizada, chegou-se a conclusão que o processo a quente é mais eficiente que o a frio. Em função das características do sistema montado, viu-se a necessidade de instalação de sensores, que foram colocados para permitir o melhor controle do processo durante a irradiação: a)
sensores de pressão e temperatura na câmara de irradiação;
b)
sensores de pressão na saída das bombas de vácuo;
c)
sensores de pressão e temperatura na saída dos tanques de armazenamento do gás 124Xe;
d)
controladores de fluxo da água de refrigeração da câmara de irradiação;
e)
controladores de fluxo e sensor de pressão do equipamento de refrigeração das janelas com gás He.
37
6.2.1 Sistema de Controle Diante da necessidade de se ter um sistema seguro e confiável e que pudesse ser operado com o mínimo de operações manuais, adotou-se nos subsistemas de controle, na automação e por segurança, uma tecnologia eficiente comandada por CLP (controlador lógico programável). Essa tecnologia é confiável e está consolidada nos diversos ramos da automação produtiva, sendo largamente empregada no controle dos mais diversos processos industriais. Deste modo, atingi-se um maior grau de segurança nas operações, tanto do sistema de irradiação quanto do sistema de processamento do material irradiado. A utilização dessa tecnologia tem três objetivos básicos: a)
Automação e segurança do sistema em operação;
b)
redução das doses de radiação a que serão expostos os trabalhadores envolvidos no projeto e, futuramente na própria manipulação e operação do sistema e,
c)
formação de recursos humanos na área de automação utilizando a tecnologia do CLP.
6.2.2 Sistema de Processamento do alvo O sistema de processamento do alvo irradiado, sob responsabilidade do Centro de Radiofarmácia (CR), consiste num processo de separação e purificação por coluna cromatográfica, na qual o elemento radioativo de interesse, o
123
I, é fixado e posteriormente removido, para dar prosseguimento ao
processamento químico. Esse procedimento é semelhante ao utilizado pelo modelo alemão, o KIPROS (Karlsruhe Iodine Production System)(23). O processamento pode ser descrito de forma resumida da seguinte forma: A solução proveniente da lavagem do porta-alvo, que é composta por água +
123
I, é transferida da câmara de irradiação, por meio de uma tubulação de
teflon, com diâmetro interno de 1,5 mm, para uma “hot cell” (cela quente), situada próxima a sala de irradiação. Dentro dessa “hot cell” há um recipiente de vidro lacrado, cuja função é receber essa solução.
38
O recipiente contendo a solução radioativa é retirado da “hot cell” e acondicionado em uma blindagem de chumbo. Em seguida a blindagem é enviada para o Centro de Radiofarmácia (CR). Este processo pode ser realizado manual ou automaticamente. As válvulas, bombas, cilindros, sensores de posição e pressão servem para manter o operador informado a respeito de qual etapa do processo está ocorrendo e para auxiliá-lo em cada etapa, fornecendo informações ao sistema de controle. No CR, a solução é percolada por uma coluna de resina de troca iônica, onde todo o
123
I produzido é fixado. Na etapa seguinte é eluído com um
volume pequeno de solução, por uma questão concentração radioativa, que deve ser a maior possível. Em ensaios preliminares realizados, no Centro de Radiofarmácia, conseguiu-se desenvolver um processo, onde foi utilizado uma coluna de alumina (Al2O3), previamente condicionada, que apresentou resultados muito bons, com relação à eficiência de separação e retenção do 123I. Os valores obtidos estiveram sempre acima de 95%. Tais valores são compatíveis com aqueles encontrados na literatura
(11)
. Embora os dados obtidos sejam plenamente satisfatórios, outros
métodos de separação, utilizando resinas de troca iônica, foram utilizados a fim de verificar se haveria algum outro que fosse mais eficiente e permitisse ter um produto de maior pureza. Os estudos e ensaios com o Al2O3 comprovaram ser um material adequado, eficiente e foi o adotado para realizar essa primeira etapa de purificação e processamento do 123I. Posteriormente, foram utilizadas resinas de troca iônica, previamente condicionadas, mostrando a mesma eficiência.
39
CAPÍTULO 7
7
PARÂMETROS RELEVANTES
7.1 Perfil de Feixe A homogeneidade de feixe de um acelerador de partículas, o ciclotron, não é algo muito fácil de ser determinado, pois normalmente envolve equipamentos e métodos sofisticados. No caso do Cyclone-30, instalado no IPEN, foi desenvolvido um trabalho de pesquisa que possibilitou verificar o posicionamento do feixe de prótons que atinge o alvo efetivamente. Além do colimador de quatro setores, que permite verificar o posicionamento do feixe nas laterais da área irradiada, foi utilizado um sistema de leitura on-line, com termopares, instalados em diferentes posições na área irradiada, onde o posicionamento do feixe pode ser acompanhado através das medidas de temperatura. Irradiações experimentais foram realizadas com prótons com energia de 30 MeV e correntes de 15µA e 30µA. Os parâmetros foram os mesmos, para ambos os valores de corrente, procurando-se assim manter as mesmas condições de perfil de feixe. Os resultados demonstram que, para corrente de 15µA, existe uma variação da ordem de 10% em relação ao ponto central, enquanto que, para correntes de 30µA essa variação chegou ao patamar de 19% aproximadamente, como pode ser observado na FIG. 12. Isto demonstra que, o perfil do feixe tem tendência a derivar para o lado esquerdo inferior (46). Nesse sentido, embora a variação do valor de corrente traga modificação do perfil de feixe, ela é pequena e, sendo sempre possível realizar ajustes que permitam minimizar tal tendência. Isso não deve causar uma influencia significativa no rendimento de produção de um radionuclídeo, pois nas produções rotineiras os tempos de irradiação, na sua maioria, são longos.
40
Figura 12 – Variações percentuais em relação ao ponto central, para feixe de prótons com intensidade de corrente de 15 µA e 30 µA respectivamente.
Considerando-se as condições reais de operação, tem-se uma qualidade de feixe de prótons boa, pois sua distribuição sobre a área da amostra apresenta boa homogeneidade, não criando pontos quentes, que com certeza acarretaria problemas de dissipação térmica no alvo, ponto importante a ser analisado.
7.2 Comportamento dos Gases Em geral, o volume de qualquer material, sólido, líquido ou gasoso é determinado pela temperatura e/ou pressão a que está sujeito. Existe uma relação matemática que relaciona o volume de uma certa quantidade de material e os valores de pressão e temperatura. Essa equação é chamada de EQUAÇÃO DE ESTADO, que pode ser descrita simbolicamente da seguinte forma: V = V (T, P, n) (5, 13). No
caso
específico
dos
gases,
apresenta
uma
característica
diferenciada em relação ao sólido e ao líquido: seu grau de compressibilidade é muito maior. Esse comportamento pode ser claramente observado quando se considera um determinado volume de gás, à temperatura constante, e este é submetido a pressões variadas: nota-se que, ao duplicar a pressão o valor do
41
volume reduz-se a metade do valor inicial. Embora possa parecer numa primeira análise, nota-se que a relação P x V não é uma reta. Segundo a lei de Boyle esse comportamento pode ser representado pela curva no gráfico da FIG. 13,
FIGURA 13 – Curva do comportamento de um gás em função da relação PV a temperatura constante.
Para a curva descrita nota-se que o volume varia inversamente com a pressão, sendo PV = constante, tendo-se assim a forma parecida com a de uma hipérbole. A equação que representa tal curva é:
PV Onde km,t
= k m,t
é uma constante, cujo valor depende da quantidade e
temperatura do gás. Outra propriedade dos gases é sua expansibilidade térmica, ou seja, à medida que há um aumento da temperatura do gás, ocorre também um aumento do volume. A relação entre o volume do gás e a temperatura é conhecida como a lei de Charles e Gay-Lussac, que pode ser descrita da seguinte forma:
42
V = V0 (1 + αT ) Onde V é o volume de uma certa quantidade de gás a pressão constante, V0 é o volume do gás a temperatura de 0°C e α é uma constante de valor aproximado de 1/273 para todos os gases. Isso pode ser observado no gráfico da FIG. 14.
FIGURA 14 – Variação do volume de um em função da temperatura.
Unindo-se os princípios dessas duas leis, consegue-se estabelecer a equação geral dos gases perfeitos ou ideais, que é a seguinte:
PV = nRT Onde R é conhecida como constante universal dos gases, n é o número de moles do gás, T é a temperatura do gás, P é a pressão do gás e V é o volume do gás. Para situações onde um determinado gás possui uma condição inicial e uma condição final diferente da inicial, a relação pode ser escrita da seguinte forma:
P1 V 1 = P2 V 2 T1 T2
43
Onde P1 e P2 são as pressões, V1 e V2 os volumes e T1 e T2 as respectivas temperaturas, que envolvem condições arbitrárias que podem ocorrer com um determinado gás. Cabe lembrar, que os gases que obedecem a estas equações são denominados gases ideais.
7.3 Cinética dos Gases Quando se observa um líquido ou um sólido imaginamos que a matéria nesse estado esteja em repouso. Porém, ao observar-se mais intimamente a matéria, constata-se que as moléculas que a constituem estão em constante movimento, o mesmo ocorre com os gases que não podem ser vistos a olho nu. Esse fenômeno, conhecido como movimento browniano é percebido, com maior evidência, nos gases. Dada sua natureza: quanto menor o tamanho da partícula mais intenso é esse movimento, assim como a elevação da temperatura também conduz a um estado de movimentos mais intensos, pois há um aumento da energia do sistema. Uma outra consideração interessante é que para um dado volume de gás, existe um grande espaço vazio, pois a área ocupada pelo gás é muito menor que os espaços vagos. Isso se deve à característica do material em questão, que não possui um volume determinado, como ocorre com os líquidos e sólidos. Assim, as moléculas gasosas que estão em constante movimento, acabam sempre se chocando entre si. Mesmo com tal ocorrência, nota-se que, tal efeito é incapaz de produzir um aumento de pressão do gás no sistema e perdas de energia das moléculas como um todo. Se isso ocorresse, transcorrido um período de tempo, as moléculas se depositariam no fundo do recipiente onde estão inseridas. Nessa linha de pensamento, uma molécula que se choca com outra, transferindo parte de sua energia, num momento posterior, ao sofrer uma nova colisão com uma terceira, ganha novamente a energia perdida. É por isso que nesse processo contínuo, a energia cinética total da amostra permanece constante. Se esse efeito não produz um aumento de pressão no sistema, então deve ocorrer algum outro que o faça. A pressão do gás é gerada pelo choque dessas moléculas com as paredes do recipiente que o contém. Cabe citar que a pressão é definida como uma força que atua por unidade de superfície: assim, a somatória de todas as
44
colisões numa área de um centímetro quadrado da parede do recipiente, em um segundo representa a pressão. Portanto, a pressão é um número que depende diretamente do número de impactos moleculares por unidade de área. A pressão de um gás contido num recipiente fechado só pode ser modificada de três maneiras: a primeira é alterando a quantidade de gás contida, a segunda é alterando o volume do recipiente e, a terceira, é fornecendo ou retirando energia do sistema. A alteração da quantidade de gás presente influencia diretamente na quantidade de colisões por unidade de área nas paredes do recipiente, gerando uma variação de pressão no sistema, que é proporcional à quantidade de moléculas. Quando se reduz o espaço físico, isto é, o volume do recipiente, a quantidade de colisões por unidade de área aumenta, elevando a pressão do sistema. Por outro lado, se houver uma ampliação do volume, a pressão reduzirá, pois volume e pressão são inversamente proporcionais. Ao fornecer energia ao sistema, através do aumento de temperatura do gás, a velocidade das moléculas cresce, aumentando a energia cinética média das moléculas, ampliando a intensidade das colisões, que, por conseqüência, reflete num aumento da pressão do sistema. Para o processo inverso, o resultado final é uma diminuição da pressão. O gráfico da FIG. 15 apresenta duas curvas onde se relaciona a fração de moléculas com a energia cinética, para duas faixas de temperatura diferentes. Pelas curvas apresentadas, nota-se que para uma temperatura mais baixa, a energia cinética média é menor que para uma temperatura mais alta, com uma faixa mais estreita de energia. À medida que a temperatura aumenta a fração de moléculas atinge um valor máximo menor. Porém, a faixa de variação de energia dessas moléculas se amplia, como pode ser observado na curva. Isso se deve ao fato do gás não possuir uma boa condutividade térmica e, por isso a quantidade de moléculas com uma energia cinética maior diminui.
45
FIGURA 15 – Distribuição da energia cinética num gás em duas temperaturas.
7.4 Comportamento do Gás na Irradiação A utilização de um gás como material alvo a ser irradiado em um acelerador de partículas sempre exige uma série de cuidados a mais quando comparado ao líquido e ao sólido, pois se trata de um material muito mais difícil de ser contido. Tanto que, a construção de um sistema de irradiação para alvo gasoso é muito mais cara e complexa. Devido as suas características, os alvos gasosos vem sendo estudados há mais de 40 anos
(47)
. Esses estudos vão do comportamento do gás durante o
processo de irradiação até a construção mais adequada para acondicionar esse tipo de material. O comportamento de um gás quando submetido a um feixe de partículas é um fator importante, pois quando se refere a uma produção de radioisótopo o que se busca é o melhor conjunto, com melhor rendimento possível. Nesse sentido as pesquisas têm revelado que o rendimento de uma reação nuclear com material gasoso é, fortemente influenciada pela densidade do gás e intensidade de corrente utilizada nessa reação (47, 48, 49). Muitos grupos de pesquisa que trabalham com produção de radionuclídeos têm estudado a ação de partículas carregadas sobre um alvo gasoso, sejam elas: próton, dêuteron ou alfa
(47, 48, 49, 50)
. Esses estudos avaliam a
46
penetração dessas partículas no gás, buscando estabelecer quais são os parâmetros que atuam mais diretamente durante um processo de irradiação dessa natureza. Quando sistemas de alvos gasosos com alta pressão de gás são irradiados com feixe de partículas, observa-se um aumento da penetração da partícula em função da intensidade de corrente utilizada. O gráfico da FiG.16 mostra o efeito da intensidade em função do percentual de penetração da partícula. Observa-se um crescimento acentuado da penetração quando a intensidade de corrente é aumentada, independente do tipo de partícula. Esse aumento de penetração se deve ao fato de que na região atingida pelo feixe há uma diminuição da densidade do gás. Isso faz com que o número de colisões por unidade de área diminua, pois a partícula encontra menos átomos para se chocar na trajetória, o que aumenta seu caminho médio.
FIGURA 16 – Gráfico que relaciona o aumento da penetração em função da corrente do feixe, para partículas alfa, dêuteron e próton.
47
Sabe-se que um feixe de partículas possui a tendência de espalhar-se ao longo do caminho descrito, nesse caso o espalhamento é acentuado em função da presença do gás. Portanto o perfil do feixe sofre uma deformação ao longo das interações com a matéria. Um desenho esquemático desse comportamento pode ser visto na FIG. 17. Ao interagir com as moléculas gasosas o feixe de partículas cria uma zona com a aparência de uma hélice, onde ocorre uma diminuição da densidade do gás, a qual acaba interferindo no rendimento final de produção do radionuclídeo de interesse. È por isso que há uma falta de proporcionalidade entre o rendimento de produção do radionuclídeo e a intensidade de corrente de feixe, para uma dada partícula e energia (47).
FIGURA 17 – Perfil do feixe de partículas que interage com o gás.
Além da alteração da densidade na região de interação partícula-gás, esse acréscimo de energia fornecida ao sistema, através de potência dissipada, gera um aumento de pressão, ocasionado justamente pelo aumento da energia cinética das moléculas do gás. Em decorrência desse fator, faz-se necessário delimitar o valor dessa corrente, pois a pressão do sistema pode atingir um ponto tal que provoque um dano ao sistema, chegando mesmo a romper as janelas metálicas do porta-alvo.
48
CAPÍTULO 8
8
MATERIAIS E PROCEDIMENTOS
8.1 Materiais Para realização da parte experimental foram utilizados os seguintes materiais: a. Gás Xênonio enriquecido a 99,9% em 124Xe. Material utilizado como alvo gasoso, para produzir o 123I. b. Folhas de Molibdênio com espessura de 50 µm. Utilizado para confecção das janelas do porta-alvo. c. Frascos de vidro tipo penicilina de 50 ml. Utilizado para receber a solução de 123I. d. Rolhas e lacres de alumínio. Utilizados para fechar os frascos de vidro. e. Tubos de teflon, com diâmetro interno de 1,5 mm e diâmetro externo de 3,0 mm. Material utilizado para interligar o porta-alvo e o frasco de recepção, que é utilizado na transferência da solução de 123I. f.
Agulhas de injeção descartáveis e conexões plásticas. Utilizadas na montagem da linha de transferência da solução.
g. Ampolas de água estéril, com volume de 20 ml. Substância usada na lavagem da câmara de irradiação.
49
h. Nitrogênio líquido. Substância usada para congelamento do vaso, para onde é feita a transferência do gás 124Xe. i.
Gás hélio Substância usada na transferência da solução para os frascos de vidro e para deixar o porta-alvo pressurizado, após a limpeza. Também é utilizado no sistema de refrigeração das janelas de molibdênio do porta-alvo.
Para realização da parte experimental foram utilizados os seguintes equipamentos: a. Acelerador de partículas, CYCLONE-30, frabricado pela IBA (Ion Beam Application) da Belgica. Instalado no IPEN-CNEN/SP. Equipamento utilizado para irradiar o gás
124
Xe, com prótons de 30 MeV,
produzindo o 123I. b. Porta-alvo gasoso experimental Equipamento construído no IPEN, com a finalidade de receber o gás e permitir sua irradiação, para obtenção de 123I. c. Bomba de vácuo da marca Edwards, modelo EM-8 Utilizada para as linhas do sistema de irradiação e porta-alvo. d. Capela com sistema de exaustão e filtros fechada e com pressão negativa. Utilizada para colocar os frascos de vidro que recebem a solução de 123I. e. Medidor de atividade, Capintec calibrado para 123I. Utilizado para medir a atividade de 123I produzida na irradiação. f.
Sistema de refrigeração de gás hélio Utilizado para refrigerar as janelas do porta-alvo gasoso.
50
g. Sistema de refrigeração de água Utilizado para refrigerar o sistema de irradiação e colimador com quatro setores. h. Blindagem de chumbo Utilizada para armazenar e transportar o material radioativo entre as instalações do IPEN.
8.2 Procedimento Experimental
8.2.1 Testes Preliminares Todos os materiais e equipamentos citados formam o conjunto experimental que depois de devidamente montado, foi submetido a ensaios de pressão e vácuo, para verificar se haveria algum vazamento, pois, trata-se de um sistema que não pode apresentar esse tipo de falha durante o processo de irradiação. Nos testes de pressão utilizou-se um cilindro de gás hélio, para carregar o conjunto com o gás com uma pressão de aproximadamente 7 bar. Acompanhadas durante o de alguns dias, para verificação da estanqueidade do sistema, assim pode-se observar a ocorrência de possíveis perdas do gás. Na fase seguinte o conjunto foi conectado a um equipamento (detector de vazamento), cuja função era de detectar vazamento em pressão negativa, ou seja, em vácuo. Quando é submetido a tais pressões negativas, da ordem de 10-7 mbar, não deve apresentar vazamentos. A última etapa constituiu-se em testar o sistema de refrigeração de água e hélio, para verificar se está em perfeito funcionamento e também se apresenta algum vazamento. Se após essa fase de testes o conjunto estiver aprovado, está pronto para ser montado na linha de feixe onde se realizarão as irradiações para coleta de dados.
51
8.3 Monitoração do Feixe Na montagem do conjunto experimental, foi prevista a instalação de um sistema de um colimador de quatro setores que permitiu acompanhar o posicionamento do feixe de prótons durante a irradiação do material alvo. Na FIG. 18 apresentada, pode-se observar como é esse colimador.
FIGURA 18 – Foto do sistema do colimador quatro setores acoplado ao porta-alvo.
Sua função é verificar durante a irradiação se o feixe de prótons está com uma boa distribuição ou se tem tendência a desviar-se para um dos lados de monitoramento, direita, esquerda, superior ou inferior. De acordo com os valores registrados em cada um dos pontos, verifica-se também o grau de focalização, evitando-se a formação de pontos com maior densidade de corrente, que podem ocasionar danos na amostra irradiada. É de grande utilidade, pois permite fazer correções no perfil do feixe de prótons no decorrer do processo, melhorando a qualidade do feixe produzido. Além dessa função principal, também funciona como um colimador de feixe, que delimita a área que será irradiada.
52
8.4 Procedimentos Operacionais
8.4.1 Procedimento de Carga do Alvo Através do fluxograma apresentado na FIG. 11, página 36, aqui repetida, pode-se acompanhar o procedimento de carga do gás Xenônio utilizado para produzir o 123I, descrito a seguir de forma resumida.
Primeiro passo: 9 Acionar as bombas de vácuo BV1 e BV2 e ligar o monitor de vácuo das bombas, para que se possa acompanhar o nível de vácuo nas linhas do conjunto. 9 Fazer vácuo na linha inferior do sistema abrindo-se a válvula V12. Em seguida as válvulas V1, V2, V3, V6, V8, V9 e V10 são abertas em seqüência, para fazer vácuo na linha superior, linha esta, que é utilizada para transferir o gás para a câmara de irradiação do porta-alvo.
53
9 Aguardar até que o sistema entre em equilíbrio, atingindo um vácuo na faixa de 10-3 mbar. Segundo passo: 9 Acionamento do sistema de refrigeração de água do porta-alvo, colimador e trocador de calor do sistema de hélio. 9 Passagem de gás hélio através das janelas de molibdênio do porta-alvo e verificar se existe algum vazamento. Em seguida, o compressor de hélio é acionado para manter o gás circulando entre as janelas durante a irradiação, num circuito fechado. A função dessa circulação de gás hélio é refrigerar as janelas, evitando que se fundam por aquecimento térmico produzido pelo feixe de prótons. Terceiro passo: 9 Congelamento, com nitrogênio líquido, do vaso de transferência VT. O nitrogênio líquido é transferido para o vaso VT por meio de um sistema de pressurização do recipiente onde ele se encontra. Abrindo-se a válvula V16, ocorre a transferência do nitrogênio para a camisa externa que contém o vaso VT. Todo o volume da camisa é preenchido com o líquido congelante. Quando a temperatura atinge o ponto de equilíbrio a válvula V16 é fechada. 9 Checagem da pressão do gás no tanque de armazenamento TA1. Em seguida, as válvulas V1, V2 e V10 são fechadas. 9 Na seqüência, a válvula V4 é aberta, para que o gás contido no tanque TA1 seja transferido para o vaso de transferência VT. 9 Realizada a transferência do gás, por processo de criogenia, as válvulas V4, V3, V6 e V8 são fechadas seqüencialmente, pois nesse momento todo o gás do tanque já está no vaso VT. Quarto passo: 9 Aquecimento do vaso de transferência VT até atingir uma temperatura em torno de 40°C, para que o gás Xenônio mude de estado novamente e possa ser transferido para o porta-alvo. Nessa etapa, o porta-alvo previamente em vácuo, está pronto para receber o gás a ser irradiado. 9 Fecha-se a válvula V9, para que o gás fique confinado na câmara de irradiação.
54
9 Em seguida, fecha-se a válvula V12 e desligam-se as bombas de vácuo BV1 e BV2. Nessa fase, o sistema está pronto para que se possa iniciar a irradiação. Quinto passo: 9 Carregamento do frasco de armazenamento da água de lavagem do portaalvo, com aproximadamente 100 ml de água injetável estéril. Esse material será utilizado na fase posterior ao processo de irradiação do alvo.
8.4.2 Procedimento de Descarga do Alvo Irradiado Terminada a irradiação do alvo, é necessário esperar um tempo para que ocorra a conversão do
123
Xe em
123
I. Esse tempo de espera, hoje, é de
aproximadamente seis horas. Essa fase é essencial para que se obtenha um bom rendimento de produção. A fase seguinte pode ser dividida em várias etapas, assim como aconteceu com o processo de carga do alvo. Primeiro passo: 9 As bombas BV1 e BV2 devem ser acionadas momentos antes do início do processo de retirada do 123I. 9 As válvulas V12, V1, V2, V3 e V6 são abertas, para que as linhas de transferência do gás e do
123
I estejam em vácuo quando iniciar o
procedimento. Segundo passo: 9 Para realizar a transferência do gás do porta-alvo para o tanque de armazenamento TA1, deve-se primeiramente congelar o tanque com nitrogênio líquido. Isso é feito utilizando-se o mesmo procedimento anterior, por meio do sistema de pressurização do recipiente que contém o nitrogênio líquido e abrindo-se a válvula V17, o nitrogênio líquido é transferido para a camisa externa do tanque de armazenamento TA1, congelando-o. Após atingir a temperatura de equilíbrio, fecha-se a válvula V17. A partir desse momento é possível realizar a transferência do gás remanescente no porta-alvo para o tanque TA1, onde ficará confinado até a próxima irradiação. 9 Antes de efetuar a transferência é preciso fechar as válvulas V1 e V2, para que o gás não seja sugado pela bomba de vácuo BV1.
55
9 A transferência é feita abrindo-se as válvulas V9, V8 e V4 em seqüência. Realizada a transferência fecham-se em seqüência as válvulas V9, V8, V6, V3 e V4. Terceiro passo: 9 Nessa etapa é realizada a lavagem da câmara do porta-alvo com água para recuperar o
123
I aderido às paredes da câmara. Para isso, fecha-se a
válvula V12, para que a água possa ser enviada para a câmara. 9 Em seguida, abrem-se as válvulas V14 e V11. Elas permanecem abertas até que quase todo o volume contido no frasco de água, em torno de 85 ml, tenha sido escoado para a câmara de irradiação do porta-alvo. Nesse instante fecham-se as válvulas V14 e V11. 9 Em seguida, é acionado um conjunto de resistências que aquecem a câmara do porta-alvo até uma temperatura de aproximadamente 70°C, permanecendo nessa temperatura por 15 minutos, para que o
123
I migre
das paredes para a solução. 9 Transcorrido o tempo de aquecimento, circula-se ar comprimido pela camisa externa do porta-alvo por onde passa a água de refrigeração, para resfriar o conjunto até que atinja uma temperatura em torno de 35°C, encerrando-se o processo. Quarto passo: 9 Nessa etapa, faz-se a transferência da solução da lavagem para os frascos de recepção da solução de
123
I. Isso é realizado por pressurização da
câmara que contém a solução (água + 123I), com gás hélio. 9 Para transferir a solução para os frascos, primeiramente abrem-se as válvulas V13 e V11 e em seguida as válvulas de recepção da cela quente, que conectam-se ao porta-alvo por meio de um tubo de teflon, com diâmetro de 1,5 mm, são abertas. 9 Para pressurizar a câmara e efetivar a transferência, abrem-se em seqüência as válvulas V7, V8 e V9. Dessa forma o gás hélio entra na câmara, com uma pressão de 2,0 Kgf/cm2 , empurrando a solução até os frascos, na cela quente. 9 Feita a transferência, todas as válvulas são fechadas na seguinte seqüência: V9, V8, V7, V11, V13 e finalmente as válvulas de recepção da cela quente.
56
9 Aguarda-se aproximadamente dois minutos e repete-se o mesmo procedimento novamente. Quinto passo: 9 Terminado o procedimento de retirada do
123
I, é necessário realizar
a
limpeza da câmara do porta-alvo, para deixá-lo preparado para sua próxima utilização.
8.4.3 Limpeza do sistema de irradiação 9 Circulação de gás hélio pela câmara do porta-alvo para retirar algum volume de líquido remanescente e secá-lo. Esse processo é realizado por 5 minutos aproximadamente. 9 Para limpeza final da câmara e das linhas inferiores e superiores, faz-se vácuo com as bombas BV1 e BV2 em todo o conjunto, para que fique totalmente seco. 9 Para finalizar a câmara de irradiação é preenchida com gás hélio.
8.5 Dados Experimentais Visando num primeiro momento a obtenção de parâmetros de análise sobre o comportamento do atual sistema de irradiação de alvo gasoso para produção de
123
I e o primeiro protótipo desenvolvido para produção, foram
coletados os dados das produções rotineiras desse radioisótopo realizadas no ciclotron Cyclone-30. Na FIG. 19 pode-se visualizar uma foto com os dois portaalvos, construídos para tal finalidade. A partir desse acompanhamento foi possível obter tais parâmetros e ao mesmo tempo, os primeiros dados experimentais para uma análise inicial a respeito do comportamento do sistema com relação à irradiação, o rendimento de produção de
123
I, as condições de irradiação e
possíveis parâmetros que possam ser padronizados e utilizados na fase experimental do trabalho. Para cada irradiação é realizado um procedimento de carga do portaalvo, no qual é carregado com gás Xenônio enriquecido a 99,9% em
124
Xe, sendo
que após o término do mesmo, o gás fica enclausurado na câmara de irradiação do porta-alvo. Como, utiliza-se um gás isotopicamente enriquecido, esse gás não é descartado, é recuperado e guardado em um vaso de armazenamento, para ser utilizado na irradiação seguinte.
57
Os procedimentos para retirada do
123
I produzido estão bem
estabelecidos e experimentados; tendo-se assim, uma série de etapas que se seguem para obtenção do radioisótopo desejado.
FIGURA 19 – Foto ilustrativa dos dois porta-alvos, de 45 ml e de 75 ml de volume.
Alguns parâmetros básicos foram fixados visando a padronização do processo, uma vez que é de essencial importância a reprodutibilidade do processo. Como parâmetros básicos, têm-se: a pressão de carga do gás dentro da câmara interna do porta-alvo, que está na faixa de aproximadamente 1,5 a 2,0 bar, isso antes da irradiação. Durante a irradiação esse valor sofre uma alteração considerável, pois varia em função da energia e intensidade de corrente de feixe de partículas. A corrente média do feixe de prótons ficou na faixa de 40 µA para algumas irradiações e 60 µA para outras.
58
De forma geral o tempo médio de irradiação ficou na faixa de sete horas. O tempo de espera após a irradiação, para que ocorresse a transformação em 123I foi de aproximadamente 6 horas. O volume de água utilizado na lavagem do porta-alvo, para retirar o
123
I
aderido nas paredes da câmara de irradiação foi de aproximadamente 90 mililitros. O primeiro período de acompanhamento das irradiações foi de janeiro/2003 a março/2003, sendo uma irradiação por semana. O segundo foi no decorrer de 2005. Como é realizada apenas uma irradiação por semana, em função das necessidades do cliente (CR) do Centro (CAC). Nas irradiações experimentais, utilizando o protótipo construído para tal finalidade, os procedimentos estabelecidos para as irradiações rotineiras, foram os mesmos, tanto no carregamento quanto na recuperação do material radioativo, no porta-alvo. Isso, porque os princípios de funcionamento de ambos são semelhantes, com relação a estes tópicos. Com relação ao material alvo, o gás utilizado, também foi o mesmo que se utiliza nas irradiações rotineiras. Como o propósito inicial era fazer uma comparação entre o sistema operante e o sistema protótipo, buscou-se obter dados que pudessem servir como termo de análise a essa finalidade. Um ponto de suma importância e que na verdade despertou o interesse de desenvolver esse trabalho, é que na literatura existente a respeito dos métodos de obtenção do radionuclídeo
123
I os dados e parâmetros operacionais
citados são escassos, criando uma lacuna de informações importantes, principalmente quando se deseja ter uma produção comercial com bom rendimento e eficiência. A maioria dos dados refere-se apenas a processos realizados em escala de laboratório, que nem sempre atende às necessidades de uma produção rotineira onde as condições muitas vezes sofrem alterações inerentes a quantidade que se necessita produzir por irradiação. Portanto, nem sempre esses parâmetros são válidos para produção em larga escala, como é o caso do IPEN.
59
Nesse sentido, o objetivo maior é a análise dos parâmetros presentes, buscando-se otimizá-los, com a finalidade de alcançar um processo produtivo mais eficiente. Para tanto, não seria necessário que os parâmetros de irradiação, no que diz respeito a tempo de irradiação, intensidade de corrente e dose poderiam ser diferentes e bem menores. A vantagem disso é que poderia ser minimizada a taxa de exposição e dose para o operador. Assim sendo, as irradiações seriam de curta duração, sendo que os parâmetros a serem utilizados seriam os seguintes: ¾ Tempo de irradiação ¾ Corrente Integrada ( µAh ) ¾ Pressão do gás alvo ¾ Corrente média do feixe de prótons ( µA ) ¾ Tempo de espera após a irradiação ¾ Volume de água de lavagem do porta-alvo ¾ Pressão de gás hélio da refrigeração das janelas e da transferência ¾ Temperatura e tempo de aquecimento do porta-alvo para remoção do 123I obtido. ¾ Volume do porta-alvo
60
CAPÍTULO 9
9
PROTÓTIPO DO SISTEMA DE IRRADIAÇÃO Como o IPEN já produz comercialmente o
Xenônio enriquecido no isótopo
124
123
I, via irradiação do gás
Xe, toda a parte experimental foi realizada
levando-se em consideração o sistema já existente que opera rotineiramente. Portanto, tendo-se como parâmetros iniciais de comparação, os dados de produção rotineira, do equipamento em uso. Como os dois primeiros porta-alvos foram construídos em alumínio, para essa parte experimental, o porta-alvo foi construído em cobre e revestido com uma fina camada de níquel, para que se pudesse testar a eficiência desse material. Na FIG. 20 tem-se uma foto do porta-alvo já montado na linha de feixe do Cyclone-30.
FIGURA 20 – Foto do porta-alvo experimental montado na linha de feixe do Cyclone-30.
61
Com relação às demais partes, ele é semelhante ao outro, sendo que por questões práticas e de custos optou-se por um processo de controle totalmente manual. Mesmo porque não havia necessidade de automatizá-lo, pois seria utilizado apenas em irradiações experimentais. Um outro ponto favorável nesse caso, é que as operações poderiam ser realizadas segundo as necessidades experimentais, podendo a qualquer momento alterar a seqüência ou mesmo os tempos de cada etapa, simplificando o seu manuseio. Por tratar-se de um protótipo experimental buscou-se simplificá-lo ao máximo, sem que isso viesse a comprometer o processo. Portanto, ao observar o fluxograma do sistema é fácil perceber que possui uma quantidade menor de válvulas e sistemas de controle, se comparado ao sistema de irradiação utilizado nas produções rotineiras. Na FIG. 21 pode-se ter uma visão, de todo esquema do sistema de irradiação e na FIG.22 pode-se visualizar como está montado o sistema experimental na linha de feixe do Cyclone-30.
FIGURA 21 – Desenho esquemático do sistema experimental de irradiação.
62
FIGURA 22 – Foto do sistema experimental de irradiação.
Na FIG.23 é mostrado o desenho em corte do porta-alvo, para se ter uma idéia precisa de como é realizada sua montagem, e quais são as partes principais que o constitui.
FIGURA 23 – Desenho em corte do porta-alvo.
63
Diferente do primeiro protótipo construído no IPEN, este uma câmara cônica, com um volume interno de 40 mililitros, onde é colocado o gás para ser irradiado. A escolha do cobre como material de construção da câmara de irradiação, deve-se ao fato de ser mais fácil revesti-lo com níquel, quando comparado ao alumínio. Uma vez que se tinha a câmara pronta, foi iniciada a montagem do protótipo. Na etapa seguinte, foram realizados testes de estanqueidade do sistema, pois é algo fundamental para realizar-se com segurança todos os experimentos. Após essa etapa o equipamento foi instalado na linha de feixe do Ciclotron, Cyclone - 30, no CAC (Centro de Aceleradores Ciclotron), como pode ser visto na FIG. 24.
FIGURA 24 – Foto do sistema experimental de irradiação montado na linha de feixe.
64
Depois de devidamente acoplado a linha de feixe, faz-se necessário um último teste para verificar se há algum vazamento no conjunto, pois é necessário que se mantenha numa pressão negativa menor que 5,0 x 10–5 mbar, caso contrário, é preciso utilizar um equipamento que detecte em que parte do conjunto está ocorrendo tal falha e, assim corrigi-la. Se tais condições não forem satisfeitas o ciclotron não pode ser ligado. Estando tudo em ordem é possível fazer as irradiações necessárias. Os primeiros parâmetros estabelecidos foram:
a Corrente integrada a ser empregada em cada irradiação,
a intensidade de corrente de feixe de prótons,
pressão do gás dentro do porta-alvo na carga inicial,
tempo de espera após a irradiação,
tempo de contato da solução de lavagem e,
temperatura de aquecimento do porta-alvo.
Numa segunda etapa foram alterados parâmetros como: a pressão do gás no porta-alvo, a Corrente Integrada, tempo de espera após a irradiação, tempo de contato da solução de lavagem e temperatura de aquecimento do portaalvo.
65
CAPÍTULO 10
10 RESULTADOS E DISCUSSÕES Retomando as citações no Capítulo 5, na seção Métodos de Produção de
123
I, no item c, referente à produção de
123
I via reação nuclear com
124
Xe, a
curva da função de excitação para as reações apresentadas na FIG. 6, mostra uma faixa de energia do próton que se inicia em valores próximos aos 16 MeV estendendo-se até os 40 MeV aproximadamente. Apesar dessa faixa extensa de energia, optou-se por uma energia máxima de 30 MeV. Então, duas perguntas podem ser feitas: a. Por que não aproveitar o intervalo dos 16 aos 40 MeV, em vez de restringir a energia em 30 MeV, já que se produziria mais? b. Por que O IPEN optou pela aquisição de um ciclotron de 30 MeV e não um de 42 MeV, a exemplo da Alemanha e Argentina? Quando se deseja adquirir um equipamento desse porte, cujo custo médio de implantação é da ordem de 10 milhões de reais, é necessário avaliar criteriosamente o investimento a ser feito. Na época, o objetivo maior da Instituição era atender a demanda crescente por Gálio-67 (67Ga), Tálio-201 (201Tl) e
123
I no mercado nacional, pois
além de ser o único produtor nacional, existia a questão do compromisso com a sociedade. O interesse por Flúor-18 (18F), surgiria um tempo depois. Atualmente, estão sendo feitos experimentos com
111
In, com o objetivo de atender as
necessidades do mercado consumidor. Até o presente momento, esse radionuclídeo vem sendo importado. Fazendo-se uma análise detalhada, diversos aspectos podem ser enfatizados:
66
Uma questão importante é a relação custo/benefício, que tem grande peso num investimento desse porte. A aquisição de um ciclotron de 40 MeV resultaria num investimento bem superior quando comparado a um equipamento de 30 MeV. Além disso, os próprios fabricantes de ciclotrons optaram pela construção e venda de equipamentos comerciais mais compactos e de custo mais acessível, com prótons de energia de 30 MeV ou menos e correntes de feixe suficientemente altas para viabilizar a produção dos radioisótopos de interesse em medicina nuclear, em quantidades suficientes para atender a demanda de Gálio-67(67Ga), Tálio-201(201Tl), Iodo-123(123I),Índio-111 (111In) e Flúor-18(18F) em cada centro produtor. Nessas condições, um ciclotron com capacidade de acelerar prótons com energia de 30MeV é o mais adequado a esta situação, pois sua versatilidade permite produzir o radioisótopo
123
I pelo método citado e ao mesmo tempo
viabiliza a produção de outros radionuclídeos de grande importância para Medicina Nuclear Brasileira.
O primeiro protótipo de porta-alvo gasoso tinha a câmara de irradiação reta por uma questão da facilidade de construção, como já mencionado no item sistema de irradiação de alvo gasoso de
123
I (Capítulo 6). Porém, ao analisar a
citação a respeito da FIG. 17, fica claro que a melhor opção de construção é a câmara cônica. A principal razão é o perfil do feixe, que mostra a tendência de formar um tipo de uma hélice ao caminhar dentro da câmara de irradiação, durante o processo de interação com as moléculas do gás. Esse espalhamento que ocorre, causa um alargamento de feixe durante sua passagem pelo gás. Em virtude dessa condição, uma câmara cônica é mais adequada, pois dependendo do diâmetro do porta-alvo, o feixe pode atingir as paredes do porta-alvo, o que não é desejável, porque irá aumentar a dose no porta-alvo, em virtude da ativação do material e causar perdas no rendimento de obtenção do radionuclídeo. Um outro fator significativo é que com uma câmara cônica é possível diminuir seu volume útil, por conseqüência, a quantidade de gás a ser irradiado. Este fato é muito importante,em virtude do alto custo de aquisição do gás, algo em torno de dez mil dólares Americanos (US$ 10.000) para 500 mililitros (ml) de gás.
67
A TAB. 4 mostra os dados de irradiações utilizando um porta-alvo de pequeno volume (45 ml), construído em alumínio, protótipo inicialmente usado no projeto do
123
I durante as produções rotineiras iniciais. Na obtenção desses dados
foram fixados os parâmetros: tempo de espera de aproximadamente sete horas, temperatura média de aquecimento de 60°C e tempo de aquecimento de 10 minutos. TABELA 4 - Valores obtidos durante produções rotineiras, usando um porta-alvo de pequeno volume (45 ml) confeccionado em alumínio, com a câmara reta. Corrente Integrada (µAh)
Tempo de Irradiação (Min.)
Pressão do Gás (Bar)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
30,0
90
2.0
72,0
2,40
39,5
118,5
2.0
97,0
2,46
40,0
120
2.0
97,0
2,43
45,9
137,7
2.0
114,0
2,48
46,0
138
2.0
113,0
2,46
47,0
141
2.0
114,0
2,43
55,0
165
2.0
131,0
2,38
56,0
168
2.0
135,0
2,41
57,0
171
2.0
136,0
2,39
Embora a pressão do gás e a corrente média do feixe tenham se mantido constantes, ocorreu uma variação considerável no tempo de irradiação e no valor da corrente integrada, sempre tendo em mente a atividade total a ser produzida, necessária para atender a demanda na época. Mesmo tendo tempos de irradiação diferentes, nota-se que os valores de rendimento sofreram alterações discretas, com valor médio de rendimento de (2,43±0,03) mCi/µAh. Isso também não influenciou no valor da corrente média, que se manteve em 20 µA.
68
A TAB. 5 mostra os dados de irradiações das produções rotineiras de
123
I para duas faixas distintas de corrente integrada, de aproximadamente
200 µAh e de 400 µAh, nas quais utilizou-se um outro porta-alvo, também construído em alumínio, com uma câmara interna de paredes cônicas e volume útil de 75 ml. Na utilização desse porta-alvo, os parâmetros fixados foram: tempo de espera de aproximadamente 6 horas após o término da irradiação, temperatura média de aquecimento de cerca de 60°C e tempo de aquecimento de 10 minutos. Optou-se por trabalhar com baixa pressão de carga do gás, pois não se conhecia muito bem o comportamento do sistema numa condição de irradiação longa. Para não correr riscos de acidentes, foi tomado esse cuidado. TABELA 5 – Dados obtidos nas irradiações rotineiras com porta-alvo de grande volume (75 ml), usado para produção de
123
I, com câmara cônica.
Corrente Integrada (µAh)
Tempo de Irradiação (Min.)
Pressão do Gás (Bar)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
210
210
1,6
1186,8
5,66
210
210
1,6
1187,8
5,65
220
220
1,6
1213,2
5,51
220
220
1,6
1130,9
5,13
225
225
1,6
1231,3
5,47
250
250
1,6
1302,9
5,21
415
412
1,8
2706,3
6,52
420
420
1,8
2392,5
5,70
420
420
1,8
2614,3
6,22
440
440
1,8
2620,6
5,96
440
440
1,8
2798,3
6,36
69
Embora os valores de corrente integrada sejam bem diferentes, os resultados
obtidos
não
apresentam
grandes
diferenças
de
rendimento,
considerando-se as pressões internas de 1,6 e 1,8 bar, respectivamente. As irradiações com pressão de 1,6 bar e corrente integrada em torno dos 220 µAh, apresentaram um rendimento médio de (5,44 ± 0,22) mCi/µAh, enquanto, para pressão de 1,8 bar e corrente integrada em torno de 420 µAh, o valor médio do rendimento é (6,15 ± 0,33) mCi/µAh. Nota-se um aumento no rendimento de 13%, em função do aumento de pressão, não podendo ser feita nenhuma consideração em relação ao aumento de corrente integrada. Um outro parâmetro que se manteve constante foi a corrente média, com valor de 60 µA. Cabe salientar que, todos os valores encontrados com estes dois portaalvos foram obtidos durante as produções rotineiras, com os parâmetros de produção fixados levando-se em conta os poucos dados citados em referências bibliográficas, já citadas no capítulo 4. Porém, nestas referências, os parâmetros operacionais não são descritos com detalhes. Em função disto, foi montado um sistema experimental exclusivamente destinado ao estudo destes parâmetros operacionais, de modo a não afetar as produções rotineiras.
Para a maioria das irradiações experimentais utilizando o sistema montado, foi estabelecido um tempo de irradiação que variou entre 20 e 40 minutos, com prótons de energia de 30 MeV. Este intervalo foi fixado por dois motivos principais: primeiro, para valores inferiores de tempo seria difícil conseguir uma homogeneidade e estabilidade de feixe que pudesse garantir uma irradiação de boa qualidade e segundo, para valores muito maiores de corrente integrada só aumentaria a taxa de exposição do trabalhador, pois o protótipo teria operação completamente manual. Logicamente, não se pode esquecer que esse fator está ligado diretamente à faixa de corrente utilizada na irradiação. Outro parâmetro que foi previamente estabelecido foi o volume de lavagem do portaalvo, 50ml, em virtude do volume interno da câmara. Nas últimas irradiações, o valor da corrente foi mantido constante, em aproximadamente 30 µA, porém, foram aumentados substancialmente os tempos de irradiação, chegando a 240 minutos.
70
Os resultados apresentados a seguir foram obtidos a partir das irradiações experimentais, onde se buscou obter dados para avaliar e analisar a grande maioria dos parâmetros importantes que envolvem o processo de produção de
123
I a partir do
124
Xe e que visaram otimizar os utilizados nas
produções rotineiras. A TAB. 6 mostra os resultados obtidos, usando uma pressão de gás 124
Xe de 1,8 bar, onde o tempo de espera entre o final da irradiação e o processo
de lavagem do porta-alvo para a retirada do
123
I foi fixado em aproximadamente
7 horas, com tempo de aquecimento de 10 minutos em temperatura de 65oC. Esses parâmetros foram escolhidos em função dos utilizados nas produções rotineiras. TABELA 6 - Atividade e rendimento de obtenção de 123I (EOB) para tempo de espera entre o final da irradiação e o processo de lavagem do porta-alvo e retirada do 123I de aproximadamente 7 horas. Corrente Integrada (µAh)
Corrente Média (µA)
Tempo de Irradiação (Min.)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
10,5
23,3
27
23,92
2,39
10,0
25,0
24
24,88
2,37
10,0
25,0
24
23,64
2,36
Pela tabela, nota-se que os valores encontrados para a atividade e o rendimento de produção são reprodutíveis, demonstrando uma boa estabilidade do sistema utilizado nesta otimização dos parâmetros operacionais. Ao comparar o rendimento desta tabela com o da TAB. 4, vê-se que este valor de rendimento de (2,37 ± 0,01) mCi/µAh é próximo ao outro, na TAB. 4, de (2,43 ± 0,03) mCi/µAh, tendo uma diferença percentual de aproximadamente 2,5%, o qual é irrelevante, pois deve-se considerar a diferença de pressão, da ordem de 10%. Portanto, os dois sistemas são comparáveis, podendo-se afirmar que produzem resultados semelhantes. Do ponto de vista da qualidade do material produzido, foram realizados os controles radioquímicos pelo grupo de controle do Centro de Radiofarmácia
71
(CR), que constatou e informou que todos os testes forneceram resultados com
valores
perfeitamente aceitáveis, para soluções provenientes dos dois
porta-alvos, não apresentando diferenças. A TAB. 7 mostra os resultados obtidos, usando a pressão de gás de 1,6 bar com tempo de espera para a remoção de
123
I do porta-alvo de até 16
horas, com tempo de aquecimento de 15 minutos a uma temperatura de 65oC. Os dados da TAB. 6 foram obtidos usando um intervalo de tempo de aquecimento do porta-alvo de 10 minutos, para retirada do
123
I. Na TAB. 7 o
parâmetro tempo de aquecimento foi alterado para 15 minutos. Essa alteração foi feita, pois, para esse intervalo de tempo de aquecimento obteve-se um aumento na recuperação do
123
I aderido nas paredes da câmara de irradiação em torno de
4,0%. Embora tal valor seja pequeno, o aumento de 5 minutos no tempo de retirada do 123I é muito pequeno quando comparado a sua meia-vida (T1/2= 13,2h), não trazendo prejuízos ao processo. Portanto, optou-se por utilizar esse fator de tempo. TABELA 7 - Atividade e rendimento de obtenção de 123I (EOB) para tempos de espera entre o final da irradiação e o processo de recuperação do 123I de até 16 horas. Corrente Integrada (µAh)
Corrente Média (µA)
Tempo de Irradiação (Min.)
Tempo de Espera (hora)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
10,0
25,0
24
07:08
23,19
2,32
11,0
24,4
27
08:17
27,49
2,50
11,0
33,0
20
09:10
30,42
2,77
20,0
30,0
40
13:07
64,99
3,25
15,0
32,1
28
14:53
49,52
3,30
15,0
31,0
29
16:28
50,52
3,37
Nos resultados apresentados na tabela acima, buscou-se manter o parâmetro tempo de irradiação dentro de um intervalo pré-estabelecido. Apenas os valores de corrente integrada sofreram certa variação, mas que não chegaram
72
a comprometer os resultados, porque o valor de rendimento leva em consideração esse parâmetro. A FIG. 25 mostra o gráfico do rendimento de produção em função do tempo de espera entre o final da irradiação e o processo de lavagem do porta-alvo e retirada do 123I. Pode-se observar que, para tempos inferiores a 13 horas, deixa-se de remover quantidades expressivas de
123
I, tendendo a uma estabilização para
valores maiores, quando o patamar atinge 15 horas. Esse resultado é importante porque quando o tempo de espera é alterado de 7 horas para 15 horas nota-se um aumento de rendimento em torno de 40%, valor este significativo.
Rendimento (mCi/µAh)
4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 5
10
15
20
Tempo de Espera (h)
FIGURA 25 - Rendimento de obtenção do 123I em função do tempo de espera entre o final da irradiação e o processo de lavagem do porta-alvo e retirada do 123I.
A TAB. 8 apresenta dados obtidos, onde o foco principal foi a temperatura de aquecimento do porta-alvo para retirada o pressão de 123
124
123
I. Neste caso, a
Xe foi fixada em 1,6 bar e o tempo de espera para a remoção do
I em 7 horas e tempo de aquecimento em torno de 10 minutos.
73 TABELA 8 - Atividade e rendimento de obtenção de 123I (EOB) em função da temperatura de aquecimento do porta-alvo para a remoção de
123
I.
Corrente Integrada (µAh)
Tempo de Irradiação (Min.)
Tempo de Espera (hora)
Temp. de Aquecimento (°C)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
10,5
27
06:33
52
18,79
1,88
10,0
24
07:08
66
27,44
2,32
10,0
24
07:06
73
24,89
2,37
10,0
22
06:48
74
23,64
2,36
A FIG. 26 mostra o gráfico da variação do rendimento de recuperação de
123
I em função da temperatura de aquecimento da câmara de irradiação, com
os dados mostrados na TAB. 8.
Rendimento (mCi/µAh)
2,6 2,4 2,2 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 50
55
60
65
70
75
80
Temperatura (°C)
FIGURA 26 - Rendimento de obtenção do 123I em função da temperatura de aquecimento para remoção do 123I das paredes do porta-alvo.
74
A ação da temperatura facilita a remoção do radionuclídeo das paredes internas da câmara do porta-alvo. Nota-se que, para valores na faixa de 50 a 65°C, a remoção do 123I das paredes internas do porta-alvo não é tão eficiente quanto para temperaturas acima de 65°C, onde existe uma tendência de estabilização nos 70°C. Neste caso, pode-se estabelecer uma faixa ideal entre 65 - 70°C. No trabalho optou-se pela temperatura de aquecimento de 70°C. Na TAB. 9 pode ser visto o efeito da variação da pressão de carga do gás
124
Xe no rendimento de obtenção de
123
I. Para esses experimentos, foram
fixados os parâmetros já otimizados nos experimentos anteriores:
o tempo de espera em aproximadamente 15 horas
a temperatura média de aquecimento do porta-alvo de 70 °C e,
o tempo de aquecimento em 15 minutos. Nessa fase dos experimentos, buscou-se também manter constantes a
corrente integrada e o tempo de irradiação, para que se pudesse ter uma boa reprodutibilidade nas irradiações. Ao fixar os dois primeiros, a corrente média também assumiu valores bem próximos em cada irradiação.
TABELA 9 - Atividade e rendimento de obtenção de 123I (EOB) em função da variação da pressão interna de 124Xe no rendimento de obtenção de 123I. Corrente Integrada (µAh)
Tempo de Irradiação (Min.)
Pressão do Gás (bar)
Atividade EOB (mCi)
Rendimento (mCi/µAh)
15,0
28
1,6
49,5
3,3
15,0
32
2,5
71,8
4,8
15,0
31
2,6
75,7
5,0
15,0
35
3,8
100,0
6,7
15,0
31
3,9
105,4
7,0
75
Na FIG. 27 é mostrada a variação de rendimento de obtenção de em função da pressão de carga do gás
124
123
I
Xe no porta-alvo.
Rendimento (mCi/µAh)
8 7 6 5 4 3 2 1
2
3
4
5
Pressão (Bar)
Figura 27 – Curva obtida com os dados da tab. 9, que relaciona o rendimento de obtenção do 123I com a pressão de carga do gás.
Analisando-se os dados referentes à pressão e rendimento de obtenção de
123
I, mostrados na TAB. 9 e na figura 27,nota-se que quando a
pressão é alterada de 1,6 bar para 2,6 bar, há uma elevação percentual da pressão, próxima de 62%. Para esse mesmo intervalo o rendimento alterou de 3,3 para 5,0 mCi/µAh, gerando um valor percentual de aproximadamente 51%. Quando se considera um outro intervalo, de 2,6 para 3,9 bar, a variação percentual foi de 50%, enquanto que o percentual do rendimento foi de 40%. Portanto, a variação de pressão do gás carregado no porta-alvo não produz o mesmo crescimento percentual de rendimento. Isso dá a indicação de que a pressão de gás não deve ser elevada para valores muito grandes, pois esta diferença tenderá a ser maior. Isto significa que, somente um aumento de pressão não é o suficiente para se ter um aumento na quantidade produzida.
76
Mesmo assim, para esse intervalo de pressão há um crescimento acentuado conforme ocorre um aumento da pressão de carga do gás. Isso é importante, pois demonstra a relevância desse parâmetro. Por outro lado, deve ser lembrado que, embora exista um substancial aumento no rendimento de produção, conseqüentemente da atividade produzida, quanto maior a pressão no interior da câmara de irradiação, tanto maior é o risco de ruptura das janelas do porta-alvo. Além da pressão interna, a quantidade produzida do radioisótopo, atividade, depende também da intensidade de corrente de feixe e da corrente integrada. Em relação à corrente de feixe, existe um determinado limite, o qual está relacionado com a capacidade de troca de calor do sistema. As FIG 28 e FIG. 29 mostram a temperatura no corpo do porta-alvo e do gás hélio que refrigera as janelas em função da variação da corrente de feixe.
50
Temperatura ( oC)
45 40 35 30 25 20 0
10
20
30
40
50
Corrente (µA)
FIGURA 28 – Variação da temperatura no corpo do porta-alvo em função da corrente de feixe de prótons.
77
Temperatura ( oC )
34 32 30 28 26 24 22 20 0
10
20
30
40
50
Corrente (µA)
FIGURA 29 – Variação da temperatura do gás hélio de refrigeração das janelas de molibdênio em função da corrente de feixe de prótons.
No intervalo estudado pode-se dizer que, em ambos os casos existe uma relação linear entre os dois parâmetros. É importante frisar que, a pressão interna é crítica tanto em relação às janelas, quanto à temperatura do gás de refrigeração das janelas, que podem torná-las vulneráveis, podendo causar sua ruptura. Em relação à atividade de
123
I produzida, nota-se um decréscimo
quando a corrente de feixe é aumentada, conforme pode ser visto no gráfico da FIG. 30.
Aividade de I-123 (mCi)
110
105
100
95
90
85 0
10
20
30
40
50
Corrente (µA)
FIGURA 30 – Variação da atividade de 123I obtida em função do aumento da intensidade de corrente de feixe de prótons.
78
Isto é de se esperar, pois quanto maior a corrente menor é a densidade do gás no caminho percorrido pelo feixe. Tal fato ocorre em virtude da potência dissipada pelo feixe nessa área, que produz um processo de convecção do gás em direção às paredes da câmara de irradiação(51). Mesmo assim, como já mencionado anteriormente, a atividade produzida está diretamente relacionada à corrente integrada e à intensidade de corrente de feixe, que por sua vez, se relacionam com o tempo de irradiação. Portanto, quando se deseja produzir grandes quantidades de um radioisótopo, busca-se uma melhor relação entre esses três fatores. Na FIG. 31, pode-se visualizar o efeito do tempo de irradiação na atividade de
123
I obtida. O aumento do período de tempo de irradiação reflete
diretamente na atividade obtida. Porém, cabe lembrar que esse valor não pode ser aumentado indiscriminadamente, pois há um outro fator relevante que é a meia-vida do radionuclídeo. Ele delimita esse tempo máximo que varia de acordo com o isótopo radioativo em questão. Com relação a corrente integrada, quanto maior o tempo de irradiação maior é o seu valor, pois estão intimamente ligadas.
600
Atividade de 123I (mCi)
500 400 300 200 100 0 0
50
100
150
200
250
300
Tempo de Irradiação (Minutos)
FIGURA 31 – Variação da atividade de 123I obtida em função do aumento do tempo de irradiação.
79
Levando-se em consideração tudo o que foi apresentado, nota-se uma relação entre a pressão interna do gás e a intensidade de corrente, no sentido de que se aumentarem simultaneamente, as janelas do porta-alvo podem estar comprometidas, uma vez que elas sofrem a ação direta desses parâmetros, podendo chegar até a situação limite de ruptura. Desta maneira, se ocorre um aumento de pressão é necessário manter a corrente de feixe em patamares menores, ou seja, eles devem variar de forma inversa. Por outro lado, outros pontos relevantes são: a)
A variação da pressão interna não produz uma variação linear no rendimento;
b)
O crescimento da temperatura no porta-alvo e do gás hélio das janelas provocam uma queda no rendimento do processo e
c)
O aumento da intensidade de corrente de feixe também interfere de forma negativa, conduzindo a uma perda de rendimento. Sendo assim, deve-se buscar construir uma situação tal que unindo
todas essas informações, obtenha-se uma melhoria no processo. Nesse sentido, analisando-se os dados da TAB. 5 e unindo-os aos resultados obtidos com o protótipo experimental, chegou-se a um melhor conjunto de parâmetros utilizados nas produções rotineiras: 9
a pressão de carga do gás foi aumentada para 3,0 bar,
9
a intensidade de corrente de feixe foi fixada entre 55 – 60 µA. Com isto, obteve-se a mesma atividade final de
123
I, com uma corrente
integrada de 350 µAh que antes era obtida com corrente integrada de 450 µAh. Isso conduziu a um ganho de aproximadamente 30%, que por conseqüência reduziu o tempo de irradiação, o que reflete diretamente no custo de produção do 123
I ultra-puro.
80
CAPÍTULO 11
11 CONCLUSÕES Comparando-se o protótipo do projeto
123
I e o protótipo experimental,
notam-se algumas semelhanças: os volumes internos possuem valores próximos, ambos são refrigeradas com água deionizada e possuem janelas de molibdênio refrigeradas com hélio. Portanto, há apenas duas diferenças entre eles, o experimental foi construído em cobre e revestido com níquel, enquanto o outro, foi construído em alumínio, o experimental tem a câmara cônica e o protótipo tem câmara reta. Nesse sentido, pode-se estabelecer um parâmetro comparativo com relação ao rendimento final de produção de 123I. Os resultados comparativos entre os porta-alvos mostram valores de rendimentos similares, o que indica não haver diferenças em razão do tipo de material escolhido. Além disso, a qualidade final dos produtos foram semelhantes, conforme os resultados de controle realizados pelo CR. Com relação ao parâmetro tempo de espera, conclui-se que para irradiações curtas deve ser de aproximadamente 15 horas, uma vez que a redução pode causar perdas no rendimento final de até 40%, sendo um valor significativo. No caso dessas irradiações os tempos de irradiação ficaram no intervalo de 20 a 40 minutos. Levando-se em consideração esse tempo e o tempo de espera, vê-se que o tempo total é aproximadamente 15:30 h. Para o caso de produção comercial, normalmente o tempo de irradiação é bem mais longo, em torno de 8 horas, não necessitando um tempo de espera tão longo. Por isso, que os centros produtores normalmente aguardam em torno de 6 horas para remover o
123
I formado. Nesse caso, o tempo de irradiação
81
somado ao tempo de espera está próximo de 15 horas, não havendo necessidade de alterá-lo. O parâmetro temperatura de aquecimento do sistema para remoção do 123
I, embora, normalmente não seja citado em trabalhos publicados, ficou
demonstrado que podem causar perdas de até 25% dependendo da faixa de trabalho escolhida. Para otimizar essa remoção das paredes internas da câmara do porta-alvo, conclui-se que a temperatura ideal para uma melhor remoção de 123
I está na faixa dos 70°C. A pressão de carga do gás mostrou ser um fator determinante quando
se busca aumentar o rendimento de obtenção de
123
I. Porém, por outro lado, é
necessário tomar cuidado com o aumento desse parâmetro, pois o risco de ruptura das janelas também aumenta significativamente. Portanto, é bom estabelecer um patamar máximo que garanta a segurança operacional do sistema. Tendo esse direcionamento, o controle destes três parâmetros, a pressão interna, a corrente de feixe e a temperatura, de maneira a ter-se um equilíbrio entre eles, produziu um resultado que permitiu melhorar o processo de obtenção do produto.
123
I, de forma segura e que otimizou o custo de fabricação deste
82
11.1 Trabalhos Futuros a) Estudo comparativo da vida útil de um porta-alvo confeccionado em alumínio e em cobre niquelado, quando utilizado em produções rotineiras. b) Estudo comparativo com porta-alvos de comprimentos maiores, variando-se a pressão interna. c) Estudo dos efeitos da alcalinidade da solução de lavagem do portaalvo, seja com relação a recuperação do
123
I, como nas paredes da
câmara interna do porta-alvo. d) Cálculo de perda de energia para pressões superiores a 4 bar.
83
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