O flamingo avarento
Nunca naquela região se tinha visto um flamingo tão avarento. Havia encontrado, há algum tempo atrás, um tesouro escondido, que era suficiente para lhe garantir o futuro. Mesmo assim, não parava de trabalhar. Não o fazia para contribuir com a comunidade, mas por ganância, para acumular cada vez maiores riquezas. Todos os dias, saía de casa ao nascer do sol e só retornava tarde da noite. E isso porque não o deixavam trabalhar à noite.

— Devemos ter prudência e trabalhar o máximo possível, porque o futuro é incerto. — dizia ele para se justificar.

— Mas de quanto dinheiro necessita esse flamingo? — interrogava-se o pelicano.

— Olhem para ele. — apontava a lebre. Usa este mesmo traje há muitos anos. E tudo para poupar, já viram?

Efetivamente, além de ser um incansável acumulador de riquezas, o flamingo era incapaz de gastar um centavo. O seu aspecto, o mais deprimente possível, causava pena e ao mesmo tempo desprezo aos seus conhecidos.

Um dia o flamingo, que além de tudo alimentava-se muito mal, acordou com dor de estômago e não pôde ir trabalhar.

— Que tristeza! — exclamou, receando pelo seu futuro. Não posso ir trabalhar! Bom… nada de chamar o médico. Cobra muito caro pelas visitas e logo em seguida há os remédios… Vou esperar mais um pouco. Com certeza, a dor logo passa…

O tempo passou e o flamingo avarento ficou cada vez pior. Quando, finalmente desesperado, resolveu chamar o doutor, já era muito tarde. A doença havia progredido muito e não havia mais remédio.

Então o flamingo compreendeu que a avareza o tinha prejudicado. A riqueza só tem valor se a soubermos utilizar.

Questões
Questão 1 – Segundo a história, o flamingo “não parava de trabalhar” para:

( ) “garantir o futuro”.

( ) “contribuir com a comunidade”.

( ) “acumular cada vez maiores riquezas”.



Questão 2 – Na passagem “Todos os dias, saía de casa ao nascer do sol e só retornava tarde da noite.”, o narrador revela fatos da rotina do flamingo que:

( ) se somam.

( ) se alternam.

( ) se contrastam.



Questão 3 – No segmento “O seu aspecto, o mais deprimente possível, causava pena e ao mesmo tempo desprezo aos seus conhecidos.”, o narrador refere-se ao aspecto:

( ) do pelicano.

( ) da lebre.

( ) do flamingo.



Questão 4 – Em “— Que tristeza! — exclamou, receando pelo seu futuro.”, o termo destacado poderia ser substituído por:

( ) “lutando”.

( ) “rezando”.

( ) “temendo”.



Questão 5 – Na parte “Quando, finalmente desesperado, resolveu chamar o doutor, já era muito tarde.”, o vocábulo sublinhado indica:

( ) lugar.

( ) modo.

( ) tempo.



Questão 5 – Observe:

“Então o flamingo compreendeu que a avareza o tinha prejudicado.”

Esse trecho é:

( ) o início da história.

( ) o clímax da história.

( ) o desfecho da história.



Questão 7 – Identifique o fragmento que contém uma opinião do narrador:

( ) “[…] o flamingo era incapaz de gastar um centavo.”

( ) “Cobra muito caro pelas visitas e logo em seguida há os remédios…”

( ) “A riqueza só tem valor se a soubermos utilizar.”

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DESENVOLVER E APLICAR Leia o texto e responda às questões. Quando o rapaz, depois de ter passado os anos da infância sossegadamente em casa, chegava à idade varonil, principiava a seguir meios de vida mais prudentes e aprendia com cuidado e persistência o que ensinava a experiência do mundo. Para isso, decidiu não seguir a vida de lavrador, mas antes estudar, aprender e exercer os rudimentos de concepções mais sutis. Por essa razão, aspirando à profissão de mercador, começou a seguir o modo de vida do vendedor ambulante, aprendendo primeiro como ganhar em pequenos negócios e coisas de preço insignificante; e então, sendo ainda um jovem, o seu espírito ousou pouco a pouco comprar, vender e ganhar com coisas de maior preço. [...] Porque trabalhava não apenas como mercador, mas também como marinheiro [...] para a Dinamarca, Flandres e a Escócia, nas terras onde encontrava certas mercadorias raras e por isso mais preciosas, transportava-as para outras partes onde sabia que eram menos familiares e cobiçadas pelos habitantes a preço de ouro. Fez dessa maneira muitos lucros com todas as suas vendas e reuniu avultados bens com o suor do seu rosto, visto que vendia caro num lugar as mercadorias que tinha comprado noutro por um preço inferior. ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. In: PINSKY, Jaime (org.). Modo de produção feudal. São Paulo: Global, 1982. p. 137-138. 1. Que exigências faziam parte da preparação para uma vida de comerciante? 2. Explique como o comerciante do texto obtinha seu lucro. 3. Na sua opinião, o interesse do jovem do texto pela profissão relacionada ao mercado e ao comércio ainda existe atualmente? Justifique sua resposta.​
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